sábado, 11 de março de 2017

Da seleção natural

Tenho observado na natureza que nao adianta grande preocupação. Nos simples vasinhos ca de casa, nos quatro limoeiros e duas cerejeiras do vizinho de baixo, nas vozes que falam da seca, nos campos cultivados nestes quatro dias de sol, e na chuva e frio e geada que ainda esta por vir (eu ate ja tinha guardado as botas). Nao faz mal. Cai, seca, murcha, minga, e rebenta de novo.
Com gente acontece igual. Quem entra e quem sai da nossa vida, quem fica; tudo acontece tão naturalmente que da vontade de rir quando viramos diabos e cansamos a nossa beleza com queixumes do caracter alheio.
A cada segunda tudo muda, a nossa própria perspectiva, a nossa forma de sentir. Nem sempre a vida esta pautada apenas por decisões, quase sempre basta apenas vivermos. Nao de uma forma banal, como quem se deixa viver so porque nao tem mais nada para fazer. Digo viver como quem nasce todos os dias.
Ontem a observar os miúdos no parque, a forma destemida como trepavam arvores, saltavam as pedras, a forma fácil como conversavam com outros miúdos desconhecidos, como jogavam a bola como se se conhecessem ha muitas vidas, a forma tola como corriam para os patos e gansos encrespados, a forma carinhosa como as vezes davam a mão ou transformavam o colo numa bela oportunidade para um abraço fundo, a forma simples como sorriam ou catavam flores. Nao era so uma tarde de Março cheia de sol, era mais. Era uma tarde imensa de um dia grande, num parque gigantesco, cheio de aventura. Eu nao sei quando e como fomos ficando pequeninos na nossa adultez. Mas basta observar os miúdos para perceber que algures nos diminuiu desastrosamente essa capacidade quase magica de viver cada dia intensamente. Putos marados, parece que estão sempre a viver o ultimo dia da vida, nao ha explicação.
Ha alguns adultos e idosos assim. Sao muito poucos, sao quase uns duendes mágicos, uns desfasados da realidade, sao adultos-mirins, sao Peter-pan, sao Alices no pais das maravilhas.
Eu sei la, mais vale ser alegre do que ser triste, como diz a canção. Ainda acho que esses, os simples os justos e os pequeninos, sao mesmo os mais fortes que ca andam.
(...)

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