terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os dias estão luminosos, a cidade fica deslumbrante com estes ares de Primavera.
Os entardeceres mágicos vão do rosa clarinho ate aos laivos alaranjados; os dias cresceram, a roupa pesada ja sobra. Tão bom.
Na medida em que vou envelhecendo, percebo mais as coisas pequeninas. O semáforo abre e fecha e eu continuo parada porque as arvores começam a ter penugem nova ou porque ha uma simetria de luzes e monumentos que me deixa perplexa; fiquei turista para sempre.
Hoje no meu local de trabalho, dentro do edifico havia bruxinhas voadoras. Dei comigo a abrir a porta para o jardim e a soprar uma enquanto pedia um desejo. So pedi Paz.
Ca em casa ate o chorão que nao saia do sitio esta cheio de rebentos de flor. A orquídea esta repleta, vai florir como quem explode. Novas camelias dormem dentro de botões prestes a abrir. Lembrei-me agora que preciso de comprar espadas de S. Jorge, ha algum tempo que cismo em ter um vasinho ca em casa.
Nem da para contar como tudo isto me rejuvenesce, como tudo isto me faz pensar que nada importa tanto; que o curso natural das coisas nao se apequena com gente de mas maneiras ou sentimentos de pouco brilho. Que nas ruas somos presenteados todos os dias, e nem vemos. Que a nossa sorte é sempre maior - um bocadinho maior - do que aquilo que tantas vezes nos parece.
Cada vez gosto mais de fotografia, e cada vez gosto mais do silencio de quem observa e compreende.

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