segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Retratos

Apareceram para comemorar dez anos de casados.
Jovens na casa dos quarenta, simpáticos, educados. Em todos os detalhes demonstravam uma elegancia notável. Ela vestia um vestido preto com pequenas florinhas estampadas, tres quartos de manga e um colarinho estilo vintage. No cabelo uma travessa de metal amarelo estilo latao, com pedraria vermelha a jogo com as florinhas, no desenho perfeito da cabeça de uma serpente. Os livros dizem muito sobre quem os le, eles liam sobre escultura, poesia e Lisboa. Eram os primeiros a sair e os últimos a chegar. Pediram um Porto na chegada e perguntaram sobre o melhor sitio para se comer pela primeira vez uma francesinha. Pareciam o casal mais bonito e feliz.
Ate que os vi naquele fim de tarde, na rua das galerias.
Vinham tão alheios ao mundo em redor, que cruzamos de frente e nem me viram. Caminhavam como dois estranhos, com uns bons dois metros de distancia a separa-los. Passaram pelo pomar mais charmoso do mundo, e ela nem viu as flores campestres num balde a entrada. Ele adiante, percorreu toda a rua sem nem por uma única vez sequer olhar para tras para avista-la. Numa desimportancia em relação ao outro, quase inacreditável para quem os viu tomar o Porto juntos.
Caminhavam vazios, tinham viajado cada um deles sozinho.
Perfeitamente elegantes, quase felizes.

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