quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Hoje sentiu-se o Inverno aqui na cidade. De um rigor e intensidade geniais. Muito muito frio logo de manhã, trombas de agua fortes durante a tarde, ao cair da noite ja so apetecia fugir para casa.
Eu tinha muitas saudades disto. De sentir com certa exactidão que algo termina e algo começa na natureza, de entender a necessidade de que aconteça assim. Do banho quente a resgatar-nos, dos pijamas estilo ursa, das mantas, da botija de agua quente. De ficar ainda mais dos livros da casa e de mim.
O terrível nao é o Inverno, ou o frio que se transforma em gelo, nao sao os dias pequeninos a ficarem escuros as quatro da tarde; é so uma estação e ate sabe bem voltar a usar as botas giras e as golas altas, a acender as lareiras e a decorar a casa de forma a ficar mais acolhedora.
O lado grotesco do Inverno, para mim, sao as pessoas. Saber que existe gente a viver na rua, gente que sem recursos precisa de sobreviver a noites tão absurdamente geladas. E eu sei que existem albergues, mas mesmo assim. Ter que dormir num albergue deve ser tão triste e frio como o pior dos Invernos nu.

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