quinta-feira, 17 de novembro de 2016

17 de Novembro

Faz hoje um ano que fiz o acordo para deixar a minha antiga empresa e que tomei a decisão de fazer a mala e voltar para casa. Nao foi um dia nada fácil mas foi um dos dias da minha vida em que me senti uma mulher realmente grande. Era o meu segundo trabalho, nos dois somados dezasseis anos da minha vida deixados conscientemente para tras. Aquele salario, aquela estabilidade que tanto se almeja, a queima-roupa em cima de portas abertas para uma ascensão; abri mão de tudo isso e assumi o risco de um futuro imprevisível. Tive muito medo.
Mas ca estou eu, como dizem os mais velhos tudo se arranja.
Tem sido um ano especial, difícil mas muito importante. Permiti-me ser desleixada, ser desorganizada, aprendi a ficar sozinha e a perceber que existem ciclos na vida que so se completam quando somos capazes de escolher quem fica, quem entra de novo, quem realmente faz a diferença.
Fui capaz de tomar decisões, tenho tido uma familia a altura das minhas necessidades, tenho a sorte de ter alguns bons amigos.
Escrevo sobre esta data quase como se fosse o meu aniversario, ou a passagem a um novo ano. Acho que acontece assim também quando alguém sobrevive a uma cirurgia complicada. Sentimos que gastamos uma vida para nascer de novo, é isso.
E damos mais valor a nova vida, aprendemos a valorizar o nosso esforço, a nossa preguiça, as horas do nosso dia.
Apostei tudo em ser mais feliz. So ainda me custa muito - muito mesmo - nao estar a acompanhar o crescimento da minha sobrinha. As vezes por ela ainda olho para tras.
E tenho saudades profundas da ilha, mudei de pele la durante oito anos da minha vida, é o meu bocadinho de Africa na Europa. Mas a ilha, tal como o Porto esperou por mim todos estes anos, vai estar sempre a minha espera, e eu vou voltar muitas vezes para longos banhos de mar e fins de tarde luminosos.
Sinto que a parte mais difícil desta escolha ja se cumpriu. O melhor vem a caminho.

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