quarta-feira, 12 de outubro de 2016

As primeiras chuvas

O transito fica caótico, dá a sensação que ninguém estava a espera do Outono. Terça-feira ao fim da tarde, quando começaram a cair as primeiras gotas, na rua fazia-se sentir um ambiente de urgencia: gente a correr, ainda poucos guarda-chuvas, buzinas descontroladas. O retrato autentico de uma sexta-feira ás seis da tarde.
Em percursos a pe ha imagens indescritíveis:
O homem-garça la em baixo em Alferes Malheiro; todos os dias quando passo de manha, ele esta ali. Com a mesma roupa, com a mesma calma. Chamo-lhe assim porque tem umas pernas magras e longas. Uma barba suja e sempre um chapéu na cabeça. Gostava de saber que visão tem ele do mundo, de nos, porque que escolheu viver naquela rua, naquele lugar, nesta cidade, ele que transmite tanta calma escolheu viver justo onde nos vomita o metro naquela que deve ser a estação central da cidade. Nao consigo adivinhar-lhe a identidade, pode perfeitamente ser polaco. Ele, o homem-garça foi o único nestes dias que nao vi correr e fugir da chuva.
O rapaz a travessar a rua, que para saltar uma poça de agua elegantemente se elevou no ar tal qual um Nureyev; será bailarino? Belíssimo.
E quando ja nao chovia, a menina de uns tres anos, de guarda-chuva aberto. Um daqueles guarda-chuvas de contos de fada, cheio de macacadas e no alto umas orelhas bem proeminentes. Eu sorri e ouvi a avo dizer: "O que ela mais quer é que caia chuva!"
O vendedor de castanhas ja quase no cair da noite, com o carro das castanhas parado ali no Marquês. O que se ria aquele homem com uma senhora de avental e óculos, os dois velhos. O fumo e o cheiro a castanhas, as chispas de fogo a casarem lindamente com o anoitecer. Um dos cenários mais quentes e bonitos do Outono.
(...)
Eu sou muito feliz em todas as estações, bem vinda querida chuva.

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