quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Esta tarde no caminho de regresso a casa, numa rua cujo muro é contiguo a um hospital psiquiátrico, cruzei com um senhor de uns sessenta anos. Ele ja vinha desde uns cinco metros de distancia a gesticular como se me conhecesse. No momento em que ficamos de frente eu pensei em ignorar e seguir caminho mas olhei-o nos olhos e percebi que realmente estava perturbado, parecia uma criança de cinco anos na forma estranha como me sorria. Perguntei-lhe se estava bem, se precisava de alguma coisa. E ele chamou-me de mãe. Compreendi o que estava a acontecer. Disse-me "Minha querida mãe, se me tivesse dito eu ia passear consigo." Eu disse-lhe que estava cansada e tinha que ir embora, sem jamais negar que fosse mãe dele; sorri-lhe e acenei-lhe adeus com a mão. Ainda o ouvi dizer "Tenho saudades suas mãe."
Fiquei tão de peito apertado que segui o meu percurso sem me atrever a olhar para tras.
Vim o resto do caminho a pensar naquilo. Naquele homem desorientado capaz de acreditar que uma mulher de 37 anos poderia ser a mãe dele, uma mãe que a ser viva terá pelo menos uns oitenta anos. Vinham varias pessoas naquele passeio mas foi comigo especificamente que fez esta associação. Acho que foi porque hoje me vesti de preto. Muito provavelmente da mãe a demencia so lhe permitiu guardar a imagem de uma mulher de luto.
Aos cem anos, as nossas mães ainda nos farão falta.
(...)

2 comentários:

  1. As mães ficam dentro do coração.. e fazem sempre tanta falta..

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  2. Pois fazem... E felizes daqueles que podem um dia sentir a falta com muitas memorias bonitas a mistura. Ha quem nunca sequer tenha tido uma mae.

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