terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ler Torga, educa

A mim faz-me sentir compreendida:
"Contra o aceleramento da historia, um passeio no campo. Nao conheço outro antídoto. Diante de uma arte que parece ter as possibilidades esgotadas, so ha o recurso das hortas. No seio das searas que amadurecem a um ritmo milenario, junto das oliveiras que florescem do seu vagar quando o cio lhes vem, e a olhar o ubere de uma vaca com vinte litros de leite la dentro, os dramas do espirito atenuam-se."
Miguel Torga

O lado B da Vida

Tenho a sorte de trabalhar num ambiente vintage, onde todo o dia escuto musica jazz.
(...)

Flash




Eu ainda tenho saudades da cidade, e das arvores...

Historias de amor

Cinco gatos. Naquela casa moram cinco gatos belíssimos e um cachorro rafeiro que me lembra muito o Tobias. Todos aqueles bichos foram recolhidos da rua e sao tratados, cada um deles, como o animal mais especial do mundo inteiro.
(...)

Flash



Sobre inteligencia emocional

Existem, neste nosso mundinho atarantado, programas de wellness que entre outras actividades contemplam a fantástica actividade de subir ás arvores. Aquela coisa normal que todos fazíamos ha muitos anos quando éramos miúdos; hoje paga-se para se fazer isso como parte integrante de um tratamento de muito nivel. E faz todo o sentido, como alias sempre fez. A Vogue explica direitinho numa frase certeira:
"(...)subir ás arvores, algo tão simples, mas tão estranho que tira o corpo da sua zona de conforto; sao alongamentos para o cerebro."

Sobre o escândalo dos estágios profissionais

Disse a Ines Cardoso no JN e muito bem "(...)esta historia tresanda a sentimentos de impunidade por parte de empresas e patrões, denota laxismo das ordens profissionais, transpira uma cultura de resignação(...)"
Portugal no seu melhor.
Eu canso-me de discutir com amigos sobre a vergonhosa actual situação, sobre a farsa que se vive e que faz de nós cada vez mais um povo que ja nem se importa de perder os mais grandes valores.
Que pena que tão pouco nos baste, e que ja quase nem nos reste vergonha na cara. A serio que ninguém sabia destas situações? A serio??

"Como os parolos, que, insensibilizados pelo farelo da broa, ja nem suspeitam de que o milho dá também flor de farinha. (...) Mas como sao dos que remedeiam calmamente a perturbação com uma vela acesa, nem pensam nisso."
Miguel Torga

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ha coisas que temos mesmo que partilhar

Numa espera interminável nos correios, descobri por acaso um livro, cuja leitura sugiro com muita seriedade:

O sofrimento pode esperar (diario de tres vitorias sobre o cancro), de Joao da Silva

Flash


Saudades da ilha
Esta tarde no caminho de regresso a casa, numa rua cujo muro é contiguo a um hospital psiquiátrico, cruzei com um senhor de uns sessenta anos. Ele ja vinha desde uns cinco metros de distancia a gesticular como se me conhecesse. No momento em que ficamos de frente eu pensei em ignorar e seguir caminho mas olhei-o nos olhos e percebi que realmente estava perturbado, parecia uma criança de cinco anos na forma estranha como me sorria. Perguntei-lhe se estava bem, se precisava de alguma coisa. E ele chamou-me de mãe. Compreendi o que estava a acontecer. Disse-me "Minha querida mãe, se me tivesse dito eu ia passear consigo." Eu disse-lhe que estava cansada e tinha que ir embora, sem jamais negar que fosse mãe dele; sorri-lhe e acenei-lhe adeus com a mão. Ainda o ouvi dizer "Tenho saudades suas mãe."
Fiquei tão de peito apertado que segui o meu percurso sem me atrever a olhar para tras.
Vim o resto do caminho a pensar naquilo. Naquele homem desorientado capaz de acreditar que uma mulher de 37 anos poderia ser a mãe dele, uma mãe que a ser viva terá pelo menos uns oitenta anos. Vinham varias pessoas naquele passeio mas foi comigo especificamente que fez esta associação. Acho que foi porque hoje me vesti de preto. Muito provavelmente da mãe a demencia so lhe permitiu guardar a imagem de uma mulher de luto.
Aos cem anos, as nossas mães ainda nos farão falta.
(...)

Como cultivar a Resiliencia

"Mude a perspectiva.
Crie objectivos e metas realistas.
Mantenha boas relações interpessoais.
Cuide de si proprio, fisica e mentalmente."
Noticias Magazine, 7 de Agosto de 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Flash




Nestas paginas da vida que vamos escrevendo sem nunca sabermos se a de hoje será a ultima, vale sempre a pena contrariar o cansaço.
Como um lema: ser feliz, ficar feliz, fazer feliz.
O cheiro a mar, rir alto, um pequeno almoço acompanhada das melhores pessoas deste mundo, os croissants frescos da Doce Mar (continuo a achar que sao os melhores da cidade), o sol na alma.
(...)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Véspera de dia livre

Depois de sete dias seguidos a trabalhar, basicamente so precisava mesmo de tomar banho e dormir.
Mas nao, a movida começa hoje mesmo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Das coisas boas

Ha tres pessoas no meu trabalho de quem em tão pouco tempo, gosto muito. Tres pessoas num projecto onde colaboram assiduamente oito, parece quase uma sorte para desconfiar. Mas nao, sao mesmo uma gente tranquila, bem disposta, de energias limpas, generosa, companheira, desinteressada. Fico tão feliz quando encontro gente assim.
(...)

Coisas que so acontecem a pessoas muito felizes

Dormir uma noite inteira. Acordar e sorrir no escuro. Sentir que o nosso coração virou um rebelde sem tino. Perceber os detalhes. Ficar de bem com a vida, apesar dos dias maus. Sentir paz e gratidão. Ter vontade de correr para alguém, ás quatro da tarde e ás quatro da madrugada. Cantarolar o corcovado enquanto se trabalha o sétimo dia seguido. Dar ao prazer o destaque inteiro e absolutamente saudável que ele merece ter na nossa vida. Fazer declarações de amor depois de dizermos que nao voltaríamos a faze-las. Sentir as pernas bambas de tanta alegria.
(...)

domingo, 21 de agosto de 2016

Flash




Outra vez isto. Nao saber que dia da semana corre, nao ter tempo para estar com os amigos, nem sequer tempo para mim. Neste Agosto deveria ter feito uns resumos de umas materias da pós-graduação e tenho os cadernos atirados sobre a mesa ha duas semanas. Deveria ter aproveitado caminhadas a beira mar ou pelo parque. O mesmo livro sobre a mesinha de noite ha meses. Tenho saudades de sair pela noite com as minhas amigas, beber um copo, ouvir uma musica, flanar como a gente normal.
Quase a perder o norte.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Por causa do homem que varria as folhas das arvores

Hoje passei no mesmo sitio ao fim da tarde. Havia centenas de folhas caídas pelo jardim.
O Outono ri, dança, toma conta de todos os espaços verdes da cidade. Nem que todos os homens se pusessem a varrer durante manhãs inteiras, nada impedira as folhas de cair e de encher os caminhos.
Apenas impedimos montanhas que atascam e cenários de abandono, ao Outono nem sequer provocamos qualquer pálida possibilidade de adiamento.
Nas noticias desta noite fiquei chocada com as imagens da guerra na Siria. Uma tristeza tão profunda, uma vergonha tão grande. Mundo tão hipócrita o nosso...

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Flash

Fazia montinhos de folhas caídas como quem coleciona Outono. Deve ser um trabalho bom para quem vive na cidade, porque estava tão no seu mundo que nao deu por mim. Fiquei ali um bom bocado de tempo a observa-lo naquela especie de ritual. Ha imagens que simplesmente me fazem bem.
(...)
Poucas pessoas sao tão felizes como a gente que decide ser feliz.
Esta manhã chuviscava e apeteceu-me dançar na rua de tão bem que me soube a frescura daquelas quatro gotinhas envergonhadas. Ao fim da tarde uma amiga protestava porque foi passear com o marido para fora da cidade e dizia ela "o tempo esta mau".
O tempo nao esta mau querida, o tempo esta fabuloso. Alias deveria chover torrencialmente um par de dias, seria uma mão divina aos nossos bombeiros e uma reciclagem do ar que esta irrespirável. Aproveita e faz amor com o teu marido enquanto a chuva cai, ou desfruta dessa espectacular sensação de dormir aconchegada nem que seja so por um lençol.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Flash

Como a sombra da unica arvore no caminho

"Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostiuem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos. 
Meu coração é um traço seco. 
Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo. (...) 
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado a qual um único bêbado bebe, um único copo de bourbon, contemplado por um unico garçom. 
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. 
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miudas. 
Lareiras acesas, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de heras. 
Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. 
No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone." 
Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas. 
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. 
(...)"
Caio F. Abreu
Seres o meu refugio. Nao é o meu corpo nem a forma que ele tem, é a minha vontade de o mostrar a ti. Nao é o momento, a loucura, a banalidade; é o que acontece depois quando estou acompanhada de outros e sorrio sozinha porque me lembro de nos; porque existe o mundo dos outros e existe o nosso mundo. Desejo é sensualidade e sensualidade em nos começou com a palavra, como se o nosso desejo tivesse esqueleto. Uma febre feita de saudades, saudades que vem de dentro, vem do fundo, vem da alma.
(...)

Dia livre

Em pleno Verão doentio, gosto ainda mais destas manhãs de névoa tão características desta cidade.
Enquanto tomei cafe fiquei a ver da janela os vizinhos na horta la em baixo, apanhavam belíssimos tomates grandes e vermelhos, a senhora segurava na caixa, que o marido ia enchendo. A cabra berra, todas as manhãs conta a mesma ladainha. As galinhas parecem as mais felizes do mundo. Um gato preto morre de preguiça em cima do telhado de zinco. O sino da igreja canta o 13 de Maio e diz que ja sao as nove.
Parece tudo tão perfeito, tão no lugar certo.
Vou sair para aproveitar a frescura do ar, tomar o pequeno almoço fora num sitio onde me sinto em casa, ler o jornal, fazer quatro coisas na loja do cidadão e no supermercado, e voltar para casa para descansar a tarde inteira. Alguma roupa para passar a ferro, alguns currículos para enviar (nao posso desistir), mas sobretudo descansar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Flash (adenda ao post anterior)


 D. Quixote e Sancho Panza



No domingo sai cedo de casa em direção ao trabalho. As ruas desertas, a cidade em silencio, o ar mais fresco; aproveitei a caminhada a pé e namorei um pouco a paz da manhã. Aquela sensação boa de ficar a sos em casa depois de uma viagem longa e cansativa.
(...)

Bom dia Vida

sábado, 13 de agosto de 2016

Flash

As primeiras folhas caídas do Outono.

Flash

Anoitece.
O amor nao se vende na mercearia, nao fica sujeito a promoções, nao tem época do ano, nao faz parte de uma região demarcada. O amor nao se estende ao sol como a roupa acabada de lavar, nao se põe a corar com sabão como faziam as velhas de antigamente. Nao vai ao congelador e depois um destes dias confeccionamos uma refeição gourmet. O amor nao se avia, nao se fia, nao se guarda numa gaveta ou nos trocos de uma caixa registadora. Amor nao é coisa de tempos livres, em nada se parece com uma sessão de cinema domingo pela tarde.
Eu nao sei o que é o amor, mas sei o que nao é.
Morro de medo de um dia querer menos do que aquilo em que acredito, de me encher de filhos numa vida a dois que de tão vazia faz eco ate na Patagonia, de ter por perto alguém que todo tempo apenas me quer tentar mudar, que se incomoda com as minhas palavras e com a minha forma de sentir. Pior do que isso, que magoa tanto, e que depois simplesmente como um vento que lhe deu se arrepende.
Todos os dias agradeço ao Universo aquelas tres pessoas terem dado errado na minha vida; foi uma sorte tremenda, agora eu sei. 
Tem gente que diz que nunca se arrepende de nada que fez. Eu sim, eu me arrependo e muito.
(...)

Isto e um vinho



E as tuas mãos sobre as minhas pernas.
Hoje passei na mesma rua, por volta da mesma hora do outro dia, e estavam duas pombas naquele mesmo lugar, na mesma posição.
Seriam as mesmas?

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Esta semana, num dos dias a caminho do trabalho, vi um tapete de folhas castanhas voar.
O Outono ja se instalou na cidade. Tão bom.
Sinto-me exausta. De todas as coisas boas que trabalhar me faz sentir, a melhor mesmo é perceber que nao perdi a minha capacidade de luta. Muito sozinha nesta aventura, deito a minha cabeça no travesseiro e sinto-me orgulhosa de mim mesma; meio ano de pós-graduação ja passou.
(...)

Flash

Are they lovers? Or family? Or strangers?
(...)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Eu faço malabarismos para driblar o desanimo, o cansaço.
Tem dias que pouca coisa alivia tanto como um bom banho, uma bela crise de choro e a minha cama.

Flash

Summer
Ha projectos bonitos, ha sim. Feitos com amor, com carinho, com detalhe, pensados essencialmente para fazer os outros felizes. Ha gente muito profissional, muito boa gente; com status elevado e formação muito superior, mas sem deixar de ser uma gente absolutamente simples e generosa.
Muitas vezes vale a pena dar determinados passos na vida para cruzarmos com alguém assim.
A Patricia e o irmão viajam pelo mundo inteiro e trazem para o projecto deles todas as ideias bonitas que encontram no caminho.
(...)
Eu gostava de ser mais resiliente, mais ainda. Mas fica tão difícil suportar um mar de incertas quando diariamente tenho que lidar com as mil teias de falsidade de que esta feita a nossa actual sociedade. Nem será tanto um trabalho temporario que me desanima, nem será sequer o péssimo salario e as mil promessas que ja me cheiram a mentiras (se calhar tenho mesmo que aprender a confiar outra vez), mais do que isso choca-me a capacidade das pessoas - a enorme capacidade - de tratar os demais como se so de gente tontinha fosse feito o mundo.
Nem queria acreditar quando hoje me puseram na frente folhas de formação que nao tive nem vou ter, para eu assinar.
Nao, eu nao sou deste planeta; e por este andar nao serei nunca.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Agosto, 2016

Infelizmente, previsível: depois de ganharmos o Euro era so esperar pelos incendios para outra vez sermos abertura dos telejornais diarios em alguns países da Europa.
Causa-me tristeza olhar para o céu e nao ver mais do que cinzento trágico, sentir cheiro a queimado mesmo fechada dentro de casa, ver tanta gente aflita e perceber que nem sequer temos meios suficientes para lutar contra este cenário. Que quase trezentos fogos nao se explicam num pais tão pequenino, que esta também é uma forma atroz de terrorismo.
Portugal arde vergonhosamente.

domingo, 7 de agosto de 2016

E eu pergunto-me:
Se nao der certo, o que faço? Corro para os braços da minha mãe?
Corro para onde...
Ontem no cinema com umas amigas, a ver um filme comum, choraminguei.
As cenas de bondade sempre me comoveram mas ontem percebi que fiquei tão frágil desde o ultimo atropelamento afectivo, que mais do que me comoverem, me destroçam. Quando alguém nos fez tão mal, o balanço da dor faz-se no tempo, com muita paciencia, com grandes doses de aceitação. Por vezes pensamos que aquilo ja passou, parece que nao lembramos sequer que aconteceu. Mas a vida é isto mesmo, a surpresa constante.
(...)

No JN, hoje

"A amada de Camilo Castelo Branco vendia manjericos no Bolhão."
(...)
Enquanto arrumo papeladas e gavetões, enquanto faço uma limpeza a conta de email e as fotografias do telemóvel, enquanto revejo cronograma e organizo cadernos para retomar a pós-graduação em setembro, tenho a sensação boa de que isto também é organizar a vida de dentro para fora.
Nao gosto destes dias de calor doentio, desta energia morna que apenas nos faz sobreviver. Seria incapaz de ir ate a qualquer praia deste pais, desculpem-me os amantes da Gigi e do Pego. Nunca fui capaz de comer bolas de berlim na praia, e juro que me causa urticaria ver enormes extensões de areia tão apinhadas de gente.
Eu, em dias de excesso, gosto mesmo é da minha casa. Estes sao domingos perfeitos, quando posso ficar sozinha, sossegada, a arrumar as minhas coisas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Dias assim

Tive ca um casal de amigos, espanhóis; adoraram o Porto. Na despedida e eu e a Maria num abraço bem apertado prometemos o reencontro.
Que beleza de dia, que boas energias.

Flash

Eu ainda nao consegui matar todas as saudades que guardei durante oito anos, do verde e da sombra dos parques da minha cidade.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"Eu nao sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim, te procuram."
Herberto Helder

Flash

Retrato da dor.
Jardim dos sentimentos, Porto.

Flash

Numa parede suja de uma rua velha do Porto.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ha assuntos que nao discuto por falta de conhecimento. Mas gosto, por isso mesmo, de ler alguma opinião alheia. Sobre o assunto do IMI e a exposição solar das casas, escreveu hoje o Valter Hugo Mae:
"Qualquer dia seremos penalizados pela sorte, pela felicidade, pelo amor, pelo sorriso."
Cansada de ouvir que ja estamos na terceira guerra mundial e que o fim do mundo esta próximo; mas isto, esta percepção possível da realidade, ainda nao tinha tido:
"O fim do mundo ja foi, nao nos damos conta mas os sobreviventes somos nos..."
Dina Gusmao

Tempo bem passado

Perdi horas a ver cadernos. Da GreenLine, que sao lindíssimos e amigos do ambiente. Comprei tres mas confesso que tive vontade de trazer a loja inteira.
Durante a tarde caminhei meia cidade. Sinto-me exausta, partida em dez.
Precisava tanto que a minha estrela da sorte brilhasse ja amanha. Mas nao posso ficar impaciente, menos ainda baixar os braços. Amanha o que tenho é uma entrevista para call center, portanto precisarei sim de ter uma boa dose de animo para aguentar os cavalos selvagens que estão prestes a sair disparados do meu peito.
(...)
Chegaram as cinzas do meu menino amarelo. Uma urna tão bonita que parece uma peça de artesanato. 

Flash



 Vida simples.
Esta madrugada recebi uma mensagem tua. Nao respondi.
Nunca vais perceber no que foi que falhaste e menos ainda que foi uma sorte grande nao termos dado certo agora, porque inevitavelmente iríamos dar errado mais tarde.
Ha um ditado dos espanhóis que gosto muito: "Lo que no nace, no crece."

Bom dia Vida

Aqui a tomar um cafe com a taça no parapeito largo da janela, enquanto observo a vida la em baixo no campo do vizinho e percebo o canto dos pássaros na cidade, compreendo a sorte do momento.
Eu nao tenho grandes coisas, nao sou proprietária de casa nem carro (nao conduzo), ja fiz tres viagens este ano mas nao tenho perspectivas nenhumas de fazer a próxima e o Agosto-pausa do mundo para mim seria so o mes ideal para trabalhar arduamente. Eu nao tenho grandes vaidades, so muito orgulho em ter pago a pronto a minha pós-graduação, o meu macbook, as minhas despesas mensais sozinha. Mesmo que depois fique privada de passeios com os amigos ou tardes nos saldos. Eu nao tenho um companheiro mas continuo a acreditar que sou das pessoas com mais paz interior, continuo a acreditar que so vai ser bom se for Amor. Eu nao tenho grandes expectativas mas todos os dias percebo que a minha formação, profissional e  pessoal, precisa de ser alimentada como uma criança em fase activa de crescimento. Eu tenho uma mãe muito amiga, que me ligou hoje de manhã bem cedo e ficamos as duas a namorar e a rir por contar coisas traquinas dos tempos em que o Garfield era um garoto. Percebem?: Eu vivo sozinha mas eu nunca estou sozinha. Eu tenho uma japoneira a crescer todos os dias a olhos vistos, uma orquídea de exterior cheia de filhotes, mesmo que depois mate cactos por nao perceber que eles nao precisam de agua. Eu tenho grande espirito de sacrificio, gosto de subir escadas e sobretudo de reflectir nos patamares. Gosto que as coisas façam sentido. Gosto de gente boa, muito muito; dessa gentileza interior, dessa coisa de berço. Adoro ver os aviões passar desde a janela da minha cozinha. Aos domingos compro o jornal e reservo duas horas para o ler, sempre. De vez em quando gosto de ir a missa das sete so porque no final o padre canta uma musica para Maria, gosto da forma como ele gesticula os braços, da voz, das palavras tão simples. Se posso comprar flores frescas, sou muito feliz. Gosto tanto de todas essas pequenas coisas na minha vida; da sorte, da fortaleza e da organização que me permitem. Mesmo quando tudo parece tão difícil, gosto do poder de Acreditar e de Agradecer. E das manhãs em que despertamos assim, com esta serenidade e estas certezas maiores.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sou animal da noite, definitivamente. Como se em mim vivessem duas, porque de igual modo adoro as manhãs.
De que me serve planear deitar-me cedo, se para mim sao irresistíveis longos seroes tranquilos e cheios de palavras (que bom que me livrei de quem nao gostava tanto como eu de palavras).

Flash

Luz.
Enquanto trato do meu jantar, abro um vinho e arrumo um bocadinho mais as ideias.
Mais tarde pelo serão vou regar as plantas, ler um bocado, tomar um banho relaxante.
Amanha sera outro dia.

Simbolo de Paz

Hoje entrou-nos uma pomba em casa. A mãe ligou-me a contar, toda feliz.
Parece que a bichana se meteu no quarto da minha mãe, debaixo da cama. Conta a minha Maria que o arrulhar dela causava um ruido igual ao do meu gato a comer snacks. E que nao queria ir-se embora (muitos sorrisos nossos, muitos...).

Tão isto

Sei que tudo isto, todas as pessoas grosseiras, mal educadas, mal formadas, que encontro no caminho; todas as propostas absurdas que tenho escutado nos últimos tempos, fazem parte do caminho.
Nada vai ser fácil para mim, haverá mais dias como o de hoje. Mas a cada queda, espero de mim levantar-me dignamente e sobretudo, continuar a acreditar no que me trouxe ate aqui. Tem servido para reflectir seriamente nas pessoas que me rodeiam, para conhecer melhor as pessoas, para me conhecer melhor a mim mesma.
Tenho a sensação terrível de estar a deixar de ser menina agora, aos 37; para virar mulher.
Um dia tudo fará sentido.

Agosto

Faz tempo que nao via Agosto com estes olhos. Na ilha era Agosto todos os dias, nao era o mes mais esperado. Aqui, desde a chegada dos emigrantes a saída dos "aprisionados", ha no ar uma quase aura magica, uma especie de ansiedade saciada.
Todo mundo vai de ferias; as paginas do facebook sao invadidas por fotografias no paraíso; a cidade fica diferente, menos vestida. Todo mundo usa hawaianas e óculos de sol espelhados, todo mundo parece tão feliz.
So menos eu, eu e a senhora de oitenta anos hoje na caixa do pingo doce que ao ver-me com os olhos com lagrimas, sem me conhecer de lado algum e sem qualquer conversa previa, começou a chorar e disse: "E eu menina, e eu que perdi o meu marido e o meu filho no espaço de dois meses..."
(...)
Dia para la de difícil. Dei por mim com a visão turva em plena rua, caiam-me as lagrimas sem permissão minha. La estavam a mãe e a mana para mim, como sempre; mesmo que haja um mar que nos separa, mesmo que o colo tenha que ser dado ao telefone. Dali fui ao horto comprar plantas, precisava de me curar. Plantas e bichos, cada vez percepciono mais a pureza incomparável destes seres.
(...)