terça-feira, 26 de julho de 2016

Passei a manhã a transplantar e a pensar na vida.
O silencio, as mãos na terra, os meus pensamentos alguns a doer.
Estão as memorias de tanta coisas boas; do meu gato feliz e saudável, da minha mãe jovem, dos meus avos com tanto amor e sabedoria, das alfarrobas na quinta, dos dias em que entrei pela primeira vez no liceu e depois na faculdade, da escola primaria, da freira Fatima, do doce de tomate da minha avo Emilia, de verão com primos, da Mimi, de alguns beijos que dei, da primeira vez que fui ao teatro, de ganhar um poema, da professora Isabel Bacelar, de ainda hoje saber o nome completo da minha melhor amiga na primeira classe, do carinho e gratidão que recebo todas as vezes que me cruzo com ex-utentes que acompanhei, de saltar a macaca jogar ao elástico e tomar banho em tanques de agua na aldeia, da esperança que as vezes sinto (e me salva) de que um dia alguém vai ser capaz por mim, dos meus irmãos por quem eu daria a vida, da minha little mermaid pela luz que me transmite e pela alegria inabalável que herdou dos deuses, dos meus dois ou tres amigos para sempre, da paz que sinto por viver nesta cidade; do dia em que aquela pessoa tão importante, contra todos os prognósticos, saiu com vida dos cuidados intensivos; da minha primeira vez, do meu primeiro amor, do dia em que fiquei menstruada, das crianças novas que foram chegando a minha vida, da magia das estações do ano, do senhor Américo meu guia numa peregrinação, de todas as vezes em que acreditei em amor mesmo que nao fosse, de ter sido valente alguma vez, de tantas oportunidades: as que dei, as que me deram, as que se concretizaram; de ter sido mesmo muito feliz, so por acreditar; de viver arvores carregadas de fruto depois de oito anos de montanhas nuas, (...).

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