quinta-feira, 7 de julho de 2016

Eu quero tanto que me saia um trabalho, quero tanto cair na gandaia com o homem mais divertido da cidade, quero tanto ficar despreocupada.
Lembro de um tempo na ilha em que os dias eram tão iguais que eu tinha a sensação de que aquilo nao era viver, aquilo era morrer. Nao iguais de rotina diaria, iguais de uma profunda monotonia sem horizonte. Depois ficava preocupada com esse sentimento de saturação e pensava na tranquilidade financeira e acabava a desejar mais dias iguais o resto da minha vida. Tinha medo. Medo do que estou a viver agora. Estar sem trabalho, sem perspectiva. Mas curiosamente, hoje que estou na situação eu nao sinto medo. Ja cheguei aqui e nao é tão terrível como me parecia naqueles dias na ilha.
Eu so preciso de batalhar muito, de acreditar sempre.
Pavor so tenho de virar escrava do trabalho, do dinheiro. Eu quero a vida bem simples, ainda sou capaz de apanhar um trem para ir beijar um moço, ainda sou capaz de me sentir a mulher mais rica do mundo por me sentar na minha terraza ao fim da tarde a comer uma taça de cerejas ou a beber um copo de vinho.

Sem comentários:

Enviar um comentário