sábado, 30 de julho de 2016

Chamam-lhe mau tempo

Dia fresco, finalmente. Caíram umas gotinhas de chuva molha-tolos, ah que bem me soube!
As pessoas morrem de frio, eu morro de alivio.

Dia intenso

O dinheiro que investi nesta pós-graduação esta a ser o mais bem gasto da minha vida. Depois dos exames (eram cinco, nao eram tres!) ficamos o resto do dia em formação sobre notificação de morte e luto infantil. Temáticas muito especiais, formadores muito experientes, casos práticos interessantíssimos.
Sinto-me zombie, perdi a conta a quantas horas estou desperta.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Flash (again)


A única coisa que eu pretendi fotografar foram quatro pessoas. O casal estendido ao sol e os meninos que se atiram ao rio.
Ha uma certa paz na loucura da gente que usa suas asas. Eles sao mais do que a ponte, eles sao mais do que o rio.

Chamam-lhe Verão

Enjoei de ver unhas pintadas com cor. La para o Inverno eu volto a pintar as minhas, num vermelho paixão.

Sindrome de Penelope

Todas as vezes que eu me perdi de amores por um homem, enganei-me redondamente.
Começa uma fase da minha vida em que isso passa completamente para segundo plano.
Se por essa estrada eu nunca fui feliz, eu vou por outra.
(...)

Flash

Him
Temos uma menina bombeiro no grupo da pós-graduação. Hoje mandou dizer que amanha nao vai poder fazer os exames porque nos últimos quinze dias andou a apagar fogos, quase nao esteve por casa e nao conseguiu estudar.
As vezes nao nos apercebemos do trabalho e dedicação incríveis destes profissionais.

Chamam-lhe Verao

Que saudades dos dias frescos, da paz do corpo sem a tortura destes dias de autentico bochorno.
Socorro.
Ainda nao comecei a estudar para os tres exames que tenho amanha.

Continua a ser um dos meus preferidos

Um ano particular

Nao sei o que mais vira nos meses nao nascidos do ano, mas que marcante tem sido a nivel de portas que fecham e portas que abrem. Despedidas, recomeços, aprendizagens.
Em 2016 ja tive que nascer e morrer algumas vezes.
(...)

Os meus dois vizinhos

Vivo num quarto andar. Das traseiras da casa tenho vista privilegiada para dois terrenos cultivados, atidos ao rés-do-chão do predio onde vivo. Isto na cidade, nao sei se sabem, mas é um verdadeiro luxo. Lembro-me muito do meu avo Albano porque quando eu era miúda cheguei a pensar que o meu avo nao dormia pelo facto de jamais o ter visto sair de casa de manhã. Madrugava tão cedo para as cinco horas da manhã ja ter o gado atendido e muitas vidas da quinta ja andadas. Os meus vizinhos, tal como o meu avo, estão sempre ali a trabalhar quando amanhece; tanto faz levantar-me as nove como as seis. Um deles, o mais antigo, ja tem um moderno sistema de rega por aspersão; o outro utiliza uma simples mangueira. Fico fascinada com os processos caseiros que utiliza o segundo vizinho, como garrafões de agua cortados ao meio para provocar efeito de estufa em algumas plantas. O primeiro tem a parcela de terra meticulosamente dividida, em alturas do ano aos olhos parece um quadro fabuloso; o segundo vizinho ainda se esta a organizar. Ambos tem espantalhos, arvores de fruto, so o primeiro tem baloiços para os netos e uma palmeira. Ha os bichos; gosto de observar as galinhas sempre que um campo "morre" e se lhes da oportunidade de devastar o que sobra. Adoro quando fazem uma fogueira para queimar inutilidades. Quando as esposas vem ajudar, sabe tão bem observar como passam horas em silencio num trabalho comum; que coisa mais bela.
Nesta altura do ano em que finda um Julho quente, alguns campos ja cumpriram o objectivo. Ha uns dias, visto de ca de cima das minhas janelas, so havia verde; ao dia de hoje ha grandes parcelas nuas o que me faz pensar que ainda nao chegou Agosto mas o pico do Verão a nivel do cultivo ja iniciou um processo descendente.
Quando vim para ca viver o primeiro campo trabalhado ja existia, mas o terreno do segundo vizinho era apenas um baldio. Sem duvida o melhor projecto de vida quando chega a idade da reforma. Feito por carolice mas com muita dedicação.
Devem ter uns setenta anos ou mais, e eu acho - acho mesmo - que aquilo é que os prende a vida. E que aquilo sim, é que é vida, é que é luxo, é que é sonho.
Eu seria muito feliz a viver no campo, com um companheiro com quem pudesse passar horas em silencio.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Flash

Coisas muito boas deste Verão

Nectarinas.
A noite passada sonhei com Deus.
(...)
Ja tenho feedback da entrevista na empresa que tanto gostei de conhecer esta semana.
Nao fiquei. Argumentaram que ate fui a candidata que mais gostaram, ate fui quem apresentou melhor perfil comportamental na entrevista, mas devido a elevada formação a nivel de softwares por parte de outra candidata e juntando-lhe o facto de que a empresa nao tem neste momento grande disponibilidade para dar algum apoio a nivel de formação inicial, decidiram pela pessoa que menos trabalho lhes vai dar no arranque.
Parece-me legitimo.
Mas o desanimo por aqui... nem vos conto.
Esta manhã fui conhecer um projecto muito interessante, num lar de acolhimento de meninas menores de idade em risco de exclusão, ja sinalizadas por tribunal. Precisam de educadoras sociais. Impraticável sobreviver com o salario que propõe mas fiquei completamente apaixonada pelo projecto. Eventualmente vou agarrar enquanto procuro uma alternativa melhor, futuramente pode ser um bom lugar para retomar o voluntariado.
So dizer-vos que quando cheguei fiquei algum tempo a espera numa especie de mini biblioteca da casa. Duas meninas de uns treze anos vieram buscar folhas de papel e flautas. Deram-me os bons dias e perguntaram de quem estava eu a espera. Depois recolheram-se nos quartos delas e comecei a ouvir as flautas. Emocionei-me ate ficar com os olhos com lagrimas:
Uma tocava My heart will go on (do Titanic) e a outra a maravilhosa Ode a alegria.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dias de calor doentio.
Ceu sujo, cheiro a incendio no ar, praias apinhadas de gente.
Precisava, para respirar melhor, de uma bela chuvada ou de alguma primavera perdida.
(...)

A nova morada do Garfield

Decidimos cremar o nosso gato e guardar as cinzas dele na terra de um vaso gigante onde vive a planta que ele mais gostava. Na terraza onde ele foi tão feliz, com manhãs de sol e tardes de sombra.

Todas as coisas dele foram doadas a uma protectora de gatos.

Hoje recebi um email do veterinario que cuidou dele durante anos:

"(...) Que apesar de conocer las patologias a veces nos creemos que estamos por encima de las normas de la naturaleza y en situaciones como la de Garfield me hace poner los pies en la tierra y saber que hay situaciones que no podemos cambiar. 
Les doy las gracias por haberme dejado hacer todo cuanto estuvo en nuestras manos para mejorar la calidad de vida de Garfield aún siendo un enfermo renal durante tantos años. Sin propietarios como ustedes nosotros no podemos hacer nuestro trabajo como nos gusta hacerlo y por tanto los animales viven menos y peor. Cosa que con ustedes hasta estos dias ha sido todo lo contrario. Una actitud intachable."

Importante, sentir que fizemos bem as coisas.

Da entrevista esta manhã

Ha muito tempo que eu nao sentia o que senti hoje. Honestidade empresarial, valorização profissional, rigor, imagem limpa e transparente; ja quase nao acreditava em algo assim. Uma parte da entrevista em ingles foi a surpresa, mas correu muito bem no geral.
Gostava muito de ficar, em quinze dias saberei a resposta.

Sinais

Levantei-me as seis horas da manhã. Os bichos fora (pássaros, caes, galinhas e uma cabra) estavam todos numa algazarra inexplicável, nunca tinha visto tal coisa. So quando abri todas as janelas da casa, para aproveitar o ar fresco da manhã, pararam em sintonia e fez-se um silencio mortal.
Pensei no meu gato.
Preparei um cafe e reguei as plantas, adoro a paz matinal. Descobri com espanto que o vizinho de baixo tem uma cabra na horta, era a que mais berrava quando despertei.
Duas sensações muito boas dentro de mim: feliz porque sim, sem razão maior (é tão bom nao é?); e a certeza absoluta de que eu e o Garfield nos voltaremos a encontrar um dia. Sim ou sim.

terça-feira, 26 de julho de 2016

A mãe ligou-me a chorar. Contou que uma vizinha a viu assim e lhe disse que nao é bom chorar pelos bichos, que traz ma sorte na vida.
Garfield foi um herói durante dez anos. Aturou-nos todos os dias, intensivamente, com toda a paciencia e amor que se pode ter por alguém. Garfield foi tão fiel, em alguns momentos pontuais foi quase uma especie de guru que tivemos em casa. Minha mãe chamava-o de "meu amante" porque dormia sestas com ela, via televisão com ela, depois do jantar esperava que ela ordenasse a cozinha para se retirarem juntos, se ela adoecesse ficava aos pes dela em modo de protesto com a vida sem comer ate ela melhorar. Em dez anos Garfield so se zangou uma vez, uma única vez numa vida inteira. Ele gostava das plantas, do sol das manhas, da sombra da tarde, muito da noite, da hora do jantar porque estávamos todos em casa. Tinha noia por agua de azeitonas e fiambre de peru. So bebia agua corrente desde o gargalo de uma garrafa, teve camas confortáveis mas preferiu sempre as nossas. Tinha uma planta preferida, das mais de trinta que a minha mae tem. Todas as coisas novas que chegavam em casa, ele achava que eram para ele. Como um menino pequeno, pedia festas, vinha arranca-las das nossas mãos. Garfield nao tinha comportamento de gato nem de cão nem de peixe nem de gente, Garfield era Garfield. Nunca mais teremos outro igual, nunca mais uns olhos vão olhar para mim daquela maneira.
(...)
Nossa vida sem ele fica mesmo mais vazia vizinha, deixe minha mãe chorar, alguém como Garfield tem que ser chorado.
Mae ficou velha, pesa quarenta e seis quilos. Avo Albano, avo Teresa, Mimi, senhor Americo, ja nao estão. Nenhum doce de tomate sabe aos da minha avo. Tenho a péssima sensação de que esgotei todos os amores. Minha sobrinha nao vai saltar a macaca nem tomar banho em tanques na aldeia.
Meu gato morre hoje.
(...)
Passei a manhã a transplantar e a pensar na vida.
O silencio, as mãos na terra, os meus pensamentos alguns a doer.
Estão as memorias de tanta coisas boas; do meu gato feliz e saudável, da minha mãe jovem, dos meus avos com tanto amor e sabedoria, das alfarrobas na quinta, dos dias em que entrei pela primeira vez no liceu e depois na faculdade, da escola primaria, da freira Fatima, do doce de tomate da minha avo Emilia, de verão com primos, da Mimi, de alguns beijos que dei, da primeira vez que fui ao teatro, de ganhar um poema, da professora Isabel Bacelar, de ainda hoje saber o nome completo da minha melhor amiga na primeira classe, do carinho e gratidão que recebo todas as vezes que me cruzo com ex-utentes que acompanhei, de saltar a macaca jogar ao elástico e tomar banho em tanques de agua na aldeia, da esperança que as vezes sinto (e me salva) de que um dia alguém vai ser capaz por mim, dos meus irmãos por quem eu daria a vida, da minha little mermaid pela luz que me transmite e pela alegria inabalável que herdou dos deuses, dos meus dois ou tres amigos para sempre, da paz que sinto por viver nesta cidade; do dia em que aquela pessoa tão importante, contra todos os prognósticos, saiu com vida dos cuidados intensivos; da minha primeira vez, do meu primeiro amor, do dia em que fiquei menstruada, das crianças novas que foram chegando a minha vida, da magia das estações do ano, do senhor Américo meu guia numa peregrinação, de todas as vezes em que acreditei em amor mesmo que nao fosse, de ter sido valente alguma vez, de tantas oportunidades: as que dei, as que me deram, as que se concretizaram; de ter sido mesmo muito feliz, so por acreditar; de viver arvores carregadas de fruto depois de oito anos de montanhas nuas, (...).

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Flash

Bloom with grace

Flash


                                   "No matter how destroyed she was,
                                   she still believed in love."
                                   C. R. Bittler

Um dia alguém vai entender

"It was her chaos that made her beautiful."
Atticus

domingo, 24 de julho de 2016

Flash


                                                    Soulsexual (n.):
                                                    A person who is sexually attracted to another's being as a whole - their soul.

Para comemorar o dia em que me disseste adeus


Que sejas feliz.

Bom dia Vida

Dormir sem hora para acordar.
Amanhecer inteira, sair para caminhar, comprar o jornal, tomar um cafe.
Tardinha em arrumações, ao som dos The Avener.

sábado, 23 de julho de 2016

Se nao estivesse a sentir-me exausta, hoje seria bom dia para comemorar a sos as minhas primeiras vitorias, nove meses depois de ter dado um passo tão importante como mudar de pais e de vida para recomeçar do zero. Coisa bem simples; se nao estivesse de gatas servia um whisky, lia alguma coisa (talvez Torga), e ficaria no sofá ate perder a hora.
Na paz da minha casa, no silencio como gosto. Nas minhas visitas a alguma paixão antiga, a lamber a cicatriz de um amor que se calhar nem foi, a imaginar beijos novos em folha.
(...)
Vai ser um banho de agua fria, roupa de dormir leve, morrer nos meus lençóis brancos.

Love him

Tao bom. Descobrir depois de quatro exames com media superior a dezoito, que aos trinta e sete anos nao perdi a minha capacidade de estudo. Que realmente gosto de aprender e seria capaz de dedicar a minha vida a fazer cursos por esse mundo fora, tivesse eu dinheiro para isso. As ultimas temáticas da pós-graduação tem sido do mais interessante e ao mesmo tempo muito cansativas: suicidio, violencia domestica, agressão sexual, pedofilia, luto, homicidio. Tem-me ajudado a manter a minha motivação pessoal, a sentir que de alguma forma tenho feito bem as coisas. Estou onde tenho que estar, a fazer coisas que gosto de fazer, capaz de abraçar novos desafios.
Nao importa tanto se vou trabalhar numa caixa de supermercado; dentro de mim ha rios, que simplesmente correm...

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Flash














O outro olhar

Flash





Fomos felizes

Flash



Um nobre casario

Flash






A ponte, as margens, o rio.

Pelas entranhas da cidade

Sair a caminhar com amigas pelas ruelas velhas do Porto, sentir o frenesim dos turistas, descobrir atalhos que nao conhecíamos. Olhar a Estação de S. Bento e captar a beleza incrível daquele lugar, visitar igrejas cheias de Historia, atravessar a ponte D. Luiz e sentir uma alegria inexplicável por fazer parte daquele cenário. Rirmos muito, falarmos das nossas preocupações, ficarmos despreocupadas enquanto estamos juntas. Subir ao morro e ver a cidade e o rio la de cima, saber que podemos voar.
Julho, tao feliz.
Hoje enquanto fazia uns testes psicotécnicos dei comigo a pensar na sorte incrível que tenho tido ao longo da vida, de como praticamente nao vivi amarguras, nao sofri nenhuma daquelas que serão um dia as perdas mais grandes da minha vida, encontrei sempre pessoas-chave nesta historia do trampolim que nos impulsa para diante, aprendi com pessoas boas e simples e sobretudo mantenho-me uma pessoa corajosa na procura da minha felicidade, muito fiel a nivel profissional, honesta e frontal.
Ontem recebi um email do delegado de uma instituição com quem trabalhei ha quase uma década, que palavras mais bonitas sobre o meu trabalho. Que alguém me defina como "competente e organizada" por tarefas que desempenhei ha dez anos, confesso que me enche de vaidade. Nao era uma instituição, foram cerca de cinquenta e todos me devolvem esta mesma imagem sobre o meu desempenho na articulação que tivemos no passado. Da ilha também me chegam mensagens especiais de antigos companheiros de trabalho que nove meses depois ainda me agradecem a forma como os tratei ao longo de oito anos. Nada importa mais do que a forma como realmente tratamos as pessoas, isso é o que fica quando ja nao estamos e eu procurei ao longo da minha vida profissional ter essa máxima sempre presente na minha forma de actuar. E a vida devolve, devolve mesmo. Porque o que eu tenho encontrado estes dias, sao pessoas boas, profissionais e disponíveis.
Faz toda a diferença.
Num mundo cheio de adversidades é tão bom, mas tão bom, quando encontramos gente que desinteressadamente fica a torcer muito por nós, que nos da um sorriso cheio de luz e afirma com tanta certeza, que nos convence: "Vai tudo correr bem."

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Flash

Da ilha
Esta noite sonhei contigo.
Entre tantas preocupações ainda tenho que lembrar que preciso de te esquecer.
(...)

Modo terapia

Reservei um cantinho da minha sala para por na parede alguns desenhos da minha sobrinha. Feitos aos dois e aos tres anos. Pela cor, pelo que representam e pela beleza em si, do traço infantil. Aquele vai ser o meu cantinho para chorar, sempre que me fizer falta.
Ali esta uma grande razão para sorrir, se nao houver outras.

Conclusão da semana que ainda nem terminou

Procurar trabalho cansa, muito mais do que trabalhar. 
Especialmente se a procura for activa e se as entrevistas - todas elas - forem encaradas como objecto de estudo.
Por mais angustia que me cause esta incerteza de nao saber quando vou estar a trabalhar, tudo isto que tenho vivido ja esta a valer a pena. Mesmo que, na pior das hipóteses, eu tenha que deixar a pós-graduação, largar tudo e voltar a ir embora. Tenho aprendido coisas fantásticas, tenho rido muito sozinha e sinto que esta parte do caminho fará ainda mais sentido quanto mais eu caminhe para a frente.
Hoje deixei currículos no centro comercial, numa empresa de limpezas, numa clinica particular, numa empresa particular ligada ao ensino, numa secretaria paroquial e num lar de terceira idade.
Sinto-me feliz e orgulhosa, muito.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Madrugada

Névoa la fora.
Uma frescura e um silencio que da vontade de ser bicho para dormir nas plantas, e ser feliz.

Surreal

Numa entrevista para auxiliar de lar de terceira idade:

- Tem marido?
- Nao.
- Tem namorado?
(????????????????????)
- Nao.
- Tem filhos?
- Nao.
- Pode fazer noites?
- Sim.
(...)

Juro que pensei que me ia perguntar se todos os dias como um Activia!
E hoje seria o dia em que o meu amor - se eu o tivesse - me daria banho e me levaria em braços ate a cama para me ninar como criança ate eu adormecer.
Calor, cansaço e desanimo; tudo junto vira dose.
(...)

Agradecem-se todas as bênçãos e orações do mundo

Muitas entrevistas, algum cansaço, cair na realidade pura e dura da situação laboral neste nosso cantinho a beira-mar, perceber o escândalo brutal do aproveitamento / exploração por parte das empresas, especialmente de pessoas com formação superior (hoje ofereceram-me o salario mínimo para trabalhar de segunda a sábado, oito horas diarias com exigencias de nivel elevado de línguas; e pelos vistos aquele era o melhor emprego do mundo e eu serei a criatura mais ingrata no meio disto tudo). Ver que altos cargos públicos sao coniventes com isto, ouvi-los do alto do poleiro dizer que aquela será a grande oportunidade das nossas vidas. Nunca mais serei escrava de um status; se vai ser para ganhar um salario mínimo prefiro ser recrutada por uma empresa de limpezas e digo isto com toda a honestidade do mundo, pelo menos nao tenho que estar a falar francês com ninguém.
Tarde no hospital de visita a alguém com a vida no fio da navalha, dar mil voltas ao pensamento por perceber que tudo muda num segundo.
Receber uma factura de luz exorbitante, referente a um mes no qual eu estive dez dias fora; ha por ai alguma boneca de trapo cheia de alfinetes igualzinha a mim, so pode!
No meio disto tudo encontrar pessoas boas, gente que nem conheço e me sorri na rua; chegar ao hospital e descobrir que ja ha maquinas iguais as que vendem bebidas, mas que vendem flores. Dar um abraço quase dezassete anos depois.
(...)

domingo, 17 de julho de 2016

E uma miúda fica feliz porque alguém leu um texto do senhor Helder Pacheco e pensou que tinha sido eu a escrever.
Some people like, some people don't.

Flash

Livraria Lello, no Porto

Quando se entra na Lello imediatamente se percebe porque estamos numa das mais emblemáticas livrarias do mundo. Gosto de absolutamente tudo ali dentro. Tenho uma amiga jornalista que diz que adora o cheiro dos aeroportos, eu adoro o cheiro das livrarias e na Lello confesso que mal ponho o pe dentro, arrepio-me como se a alma do nosso mesmíssimo querido Eça estivesse na porta a ver-nos passar.

Coisas muito boas do meu fim de semana

Sem duvida o mais bonito foi o espectáculo de ballet da Ritinha, no Coliseu do Porto. Muitas emoções e ternura.
Descobrir no carro da Susana um livro encadernado. Ficar cheia de saudades dos tempos de liceu em que eu encadernada os meus.
Regar as minhas plantas de madrugada.
Saber que o meu gato engordou um quilograma, i believe in miracles.
Oito horas de pós-graduação a falar sobre suicidio e luto; sentir-me crescer outra vez.
Saber que apesar da violencia crescente no nosso mundo, em Nice, na Turquia ou em casa do nosso vizinho, ha um lugar seguro onde podemos manter a Paz intocável: no nosso coração.
Rir com amigos.
Beber limonada fresca.
(...)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Flash


"I believe in pink. I believe that laughing is the best calorie burner. I believe in kissing, kissing a lot. I believe in being strong when everything seems to be going wrong. I believe that happy girls are the prettiest girls. I believe that tomorrow is another day and I believe in miracles".
Audrey Hepburn
Um dia belíssimo.
Almoçar no Arvore com a melhor amiga do mundo, passar na Lello e comprar um livro de Raul Brandao, beber uma agua fresca no Majestic, comprar musica na FNAC.
Para terminar este dia em beleza, mais tarde um espectáculo do Abrunhosa com o Camané.

Et voilá, voltei a atar uma fita vermelha ao pulso!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

"Eu nao sou uma intelectual, nunca fui. So faço, e continuo a fazer, bonecos e desenhos como quando era pequenina."
Paula Rego in Sol

Flash



Passeio das Virtudes - Porto
Fui a Singer comprar uma maquina de costura a pedido da minha mãe. Acabei por ter uma boa conversa com o vendedor, um senhor ja de meia idade que todo o tempo me tratou por carochinha. Diz ele que antigamente nao havia casa onde nao houvesse uma maquina de costura. Eram tempos em que nao se desperdiçava nada, quando se comprava roupa era para durar o máximo de tempo possível e todas as senhoras sabiam fazer um remendo ou uma bainha. Nao so vivemos o tempo do descartável como do desinteresse.
Perguntei a minha mãe, se pensa fechar a loja, para que quer ela mais uma maquina de costura. Diz ela que aqui na casa do Porto também faz falta uma e que uma boa maquina a bom preço será sempre um bom investimento. Ela gosta muito do que faz, minha mãe costura com o coração. E maquinas de costura sao para ela como maquinas fotográficas para um bom fotografo.
E eu fico a sorrir com estas coisas insignificantes, porque a mim me dizem muito.
Por sorte, e por causa das coisas que a minha mae sempre me ensinou ao longo da vida, nao tenho uma auto-estima facilmente abalável. Posso ate mesmo dizer que a cada fracasso, respondo com uma eu cada vez melhor mulher.
Estou num momento da minha vida em que me sinto particularmente bonita e segura.
E voltei a comprar lingerie, ah pois!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Oração de graças

Um grande Deus presente em cada hora da minha vida. Uma gratidão enorme por despertar cada manhã, por olhar para o meu percurso e sentir-me feliz porque ca estou eu de novo na minha cidade; fui capaz! Uma vontade grande de aprender a ser cada vez mais, a cada dia que passa, uma pessoa simples. A certeza de querer fazer as coisas bem.
(...)

Flash




Porto
Onde a alma se demora

O lado B da Vida

Nos últimos tempos tenho aprendido a praticar um exercício fundamental: nao revolver.
Nao dar espaço no pensamento a quem feriu, a quem despertou o pior de mim, aos dias cinzentos, ao medo e pessimismo, as vezes que falhei. Nao trazer passado para o dia de hoje, nao tapar o Sol com tantos porquê?, nao me angustiar com o que me pode vir a faltar, nao achar que posso solucionar todos os problemas, deixar que a vida aconteça porque ela vai acontecer de qualquer jeito. Nao querer saber sobre certas pessoas; nao querer saber mesmo.
Desta forma simples deixei de trazer para a minha vida muito lixo emocional, muita carga negativa. Viver, so isso.

terça-feira, 12 de julho de 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Ja nao consigo, sequer, sentir a tua falta.
Magoaste-me á seria. Levantei-me rápido porque tive a exacta noção de que tal como num combate com o inimigo, se me mantivesse segundos no chão, me darias o golpe final.
O que eu gostei de ti nao esta escrito em livro nenhum. Seria capaz de viver contigo o resto da minha vida, sem sapatos, nas ruas de um pais que nao sei o nome nem conheço a língua.
(...)
De ti aprendi que muitas pessoas sao mesmo capazes de tudo, e capazes de nada também.
E se eu so pudesse enaltecer duas grandes qualidades do povo português, seria sem duvida a solidariedade e o sentido de humor.

Por causa do futebol

Muitas mensagens entre-linhas.
Um patinho feio chamado Portugal; da para imaginar o que realmente pode acontecer um dia se esta Europa tão de costas viradas entre si, se desfaz.
O fenómeno do racismo no nosso pais; houvesse, afinal, mais portugueses como o Eder, o Renato Sanchez ou o Pepe.
A emigração; dos tremendos sacrifícios que muitos portugueses continuam a passar la fora, so porque sao portugueses. Da xenofobia que ainda existe em países tão próximos como Espanha.
Portugal tem gente muito trabalhadora, muito honesta, muito capaz, cheia de fé e de valores. Como todos os países, certamente. Em algumas vertentes brilhamos, noutras menos; mas como povo somos mesmo uma nação valente. Com as nossas hipocrisias como o racismo, com uma classe política que se esta realmente a marimbar para tantos portugueses la fora que todos os dias sonham em voltar mas nao ha caminho. Mas com muita esperança no futuro, em conseguirmos resolver os nossos problemas, em vermos mais jovens como o Renato Sanchez ou o Eder ainda fazerem coisas tão bonitas como ja fez o nosso Cristiano, em mães como a dona Dolores Aveiro ou treinadores como o senhor Fernando Santos, que nao tem vergonha - pelo contrario, tem orgulho - de fazer promessas em Fatima, ir a missa ou agradecer a Deus num discurso ao pais inteiro. Como aquele homem com ar de destrambelhado que anda para ai a cantar um tal de haka em videos que se difundem na internet e que  canta a nossa nação como o pais do chouriço, do repolho, do presunto, da vinhaça. Também. Temos que ter orgulho, muito orgulho, em quem somos, donde viemos e no que nos fez chegar aqui.
Os miúdos sao realmente bons, trouxeram-nos a taça. Agora nós, todos juntos (e nao é fácil), temos que continuar a tentar ganhar o resto.

domingo, 10 de julho de 2016

Portugal e o Euro 2016

Somos Campeões.

Flash

Vida quotidiana na Cidade.
Grupo de meninas equilibrando sabres na cabeça, ensaiando dança do ventre.

Meus irmãos

Sao a fortuna única e imensa - incalculável - que herdarei de minha mãe.
Somos tão diferentes, mas ao mesmo tempo continuidades de um todo. Sem que se comparem a ninguém, posso descreve-los da seguinte forma: a pequena é a minha meia Amy meia Beyonce; meu irmão misto de Obama e Leon Bridges; a do meio a nossa Margarida Rebelo Pinto e os seus livros de eternas historias de amor.
Quero a sorte maior de podermos envelhecer juntos, de brigarmos bem velhinhos e nunca abrirmos mão deste amor que nos une e nos protege.

Para o Javier e o Alexandre, e todos os outros

Portugal, hoje

Desejo toda a sorte do mundo aqueles rapazes portugueses, com historias e percursos de muita humildade e esforço, que ja nos demonstraram que com fe e dedicação, com amor pelo que fazem e pela bandeira que defendem, se pode ir tão longe quanto se seja capaz de sonhar. Juntos ja deram uma lição alem fronteiras, mas sobretudo aos de ca de dentro. Demonstraram ao pais aquilo que nem a classe política tem sido capaz de praticar. Sao alegres, sao jovens, e tem-nos insuflado verdadeiras doses de entusiasmo nos últimos tempos.
Vamos ganhar! E se nao for assim, vamos festejar na mesma, porque voces merecem o maior trofeu de todos, que é a gratidão inteira de um povo que é o vosso.

Da Vida, quando arruma cada pessoa no lugar certo

Também tu um dia me acusaste. Também a ti incomodou tanto a minha velha mania de escrever sobre o que sinto. Sempre deixaste bem claro que tu nao escreves, tu és tão importante que tu quando sentes, falas.
Hoje quando acordei tinha uma mensagem tua com cento e noventa e tres palavras. Uma mensagem erótica. Afinal tu também gostas de escrever.
Evidentemente que nao te respondi. Aprendi algumas coisas nos últimos tempos, uma delas foi a nao perder tempo com quem nao vale a pena, outra foi a reservar-me ao privilegio do silencio.
Em certa medida isso devo-te a ti e a mais um par de idiotas que cruzaram o meu caminho.

sábado, 9 de julho de 2016

Flash


O dia em imagens

Post numero mil

Tardinha junto ao mar. Caminhar desde o parque ate a praia. Conversa boa, sol. Bicicletas, caes felizes, muitas crianças. Parar para lanchar na casa que faz os melhores croissants da cidade, e lembrar que um dia sofri ao pensar que poderia nao voltar a viver um dia como o de hoje.
"O Brasil de que gosto: 
Machado de Assis, Tom Jobim, Cartola, Chico Buarque, Clarice Lispector, João Gilberto, Noel Rosa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Araci de Almeida, os sambistas da Mangueira, bárbaros e doces, gente do morro, Gregorio Duvivier, samba, samba do grande amor, Marília Pêra a recitar Drummond, Hélio Oiticica (sejamos heróis e marginais, daquela maneira), o Moreno e o Domenico e a Luana e a Tatiana. (...)
Machado, que era mulato e pobre e órfão, e gago e epiléptico, e é o mais genial dos escritores brasileiros e fundador da Academia. Machado, porque acredito em milagres."
Do facebook da maravilhosa Anabela Mota Ribeiro

Flash


Cosas que no tendremos, Josefa Parra

Cosas que no tendremos:

Las mañanas de abril largas de amor y sueño.
Las tardes de noviembre con lluvia interminable.
Las noches del verano tercamente estrelladas.
Todas las madrugadas dulcísimas de otoño.

Cosas que me he perdido:

No sabré del sabor de tu boca dormida.
No acunaré a tus hijos. No beberé tu vino.
No lloraré contigo viendo ningún ocaso.
No me amanecerá tu vientre entre las sábanas.

Flash

Kennamore Street, José María Fonología
Yo quiero que tú sufras lo que sufro:
aprenderé a rezar para lograrlo.
Yo quiero que te sientas tan inútil
como un vaso sin whisky entre las manos;
que sientas en el pecho el corazón
como si fuera el de otro y te doliese.
Yo quiero que te asomes a cada hora
como un preso aferrado a su ventana
y que sean las piedras de la calle
el único paisaje de tus ojos.
Yo deseo tu muerte donde estés.
Aprenderé a rezar para lograrlo.

Bom dia Vida

Despertar com um telefonema e todas as queixas do mundo. Saber que é exactamente assim que eu nao quero ser, que nao quero tornar-me. Por mais que viver seja estar metido numa bela enrascada, depende muito de nós tornarmos as coisas mais fáceis. Nesta aventura nunca somos só nós; os outros merecem ás vezes algumas cedências e é esse ponto de egoísmo e intolerancia que me faz sentir exausta do dia quando ainda sao onze horas da manhã.
Eu nao posso fazer mais nada, foram anos de maternidade sem ser mãe. A própria vida tirou-me quase tudo, para que desta forma eu me veja obrigada a fazer de mim a minha única prioridade.
Desta forma aprendo cada vez mais que pessoas convém ou nao na minha vida. Gente que não sabe ser feliz com a alegria alheia, gente que me julga sem saber da minha missa a metade, gente que tem medo de um dia ter que dividir problemas, gente só cinzenta, gente com um umbigo maior do que o coração, gente que vive em círculos fechados, gente que não diz a verdade, que não sente para não se comprometer, gente dessa eu não vou mais deixar entrar na minha vida.
Muito provavelmente eu vou morrer sozinha e a estorvar, como o meu gato. Mas não faz mal, eu pelo menos não vou morrer rodeada de gente-pavão, que em todo o caso esse seria o pior cenário na minha partida.
As pessoas ha que deixa-las ser quem são. Com seus odios e medos, com suas duvidas, seu fel, seus gritos... hoje consegui estar uma hora inteira ao telefone a escutar o filme de terror alheio. A determinada altura ela perguntou "Estás a ouvir-me?".
A mim, as pessoas que eu amei e me abandonaram, foi assim que me ensinaram a escutar o ridículo de mim mesma, deixando-me sozinha todas as vezes que eu mais precisei. Acusam-me de gostar mais de escrever do que de falar. Pois bem, eu explico: falar implica o outro e eu ja nao confio no outro. Falar para que, falar para quem.
A única pessoa com quem eu vou estar em divida vai ser essa pessoa honesta e generosa que realmente me vai querer escutar, que realmente vai ter tempo e paciencia, essa pessoa que eu nem sei se algum dia chegara.
Esta sensação constante de ameaça de desmoronamento que aprendi com a minha familia ja nao me faz entrar em pânico e querer salvar o mundo; eu ja nao vivo so no retrato.
Eles sao todo o amor que eu tenho, que eu conheço, que eu preservo. Sao a melhor parte de mim, serão sempre. Mas eu preciso de ficar leve agora. Quando viajo de avião penso sempre naquela azafama toda das malas e da quinquilharia que levamos em cima: um livro, o ipad, uma manta, um pacote de bolachas, umas all-star ou adidas ultimo modelo. Se cairmos la em baixo e por sorte ate escaparmos, se estivermos no mar e tivermos que sobreviver, de que serve tudo aquilo que la em cima parecia tão importante? De nada, nao serve de nada, nao serve nem mesmo o nosso passaporte. A única coisa que importa é sobreviver.
Eu estou nesse momento da vida.
(...)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Uma vez ele escreveu-me a serio. Falou-me da morte daquele cavalo que era um grande companheiro, falou-me da dor e da exaustão que sentiu naquele dia.
Era uma carta de amor, e eu nao sabia.
(...)

Para ver e ouvir ate ao fim

Das coisas que me arrependo: nunca deveria ter deixado ficar o meu gato.
Porque era eu e so eu quem agora tinha que suportar as noias dele, era eu e so eu quem agora tinha que cuidar dele, ao meu lado era onde ele tinha que dar o ultimo suspiro. Acredito que nao se tornou um estorvo mas hoje percebi uma certa aflição e urgencia em ve-lo partir, "pelo proprio bem dele", mas entristeceu-me. Se calhar nao seria tão fácil como me parece, mas acredito que aqui comigo ele poderia enlouquecer em paz.
Será que no fim da vida, bem velhos, ainda temos que passar por isso? Por pessoas saturadas e assustadas pelos mil trabalhos que estamos a dar? Porque ele salta para a vitroceramica e vai fritar as patas, porque ele pula o muro da vizinha e urina no deposito de agua dela, porque ele vai cair de uma altura de seis metros e tão magro vai partir-se em mil. Porque a burra da veterinaria aconselhou a lhe pormos uma fralda e fecha-lo todo o dia no WC e a minha mãe ficou alarmada com tamanha violencia. Garfield so quer viver, esta desorientado e nem percebe nada de tanto furdunÇo em redor dele. Nunca o deveria ter deixado sozinho com tantos problemas. Ele agora nao suportaria um voo, mas eu podia bem adiar a minha vida e ter ficado algum tempo mais. Ele ficou comigo dez anos.
Lembrei da Mimi, e do Tobias. Nunca mais quero bichos.
Nem amores.

Entardeceres de Verão

Impossível nao sentir uma gratidão imensa, que salva, quando da janela da minha cozinha vejo esta paleta de cores.