segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dos dias (e da primeira mudança de pele)

Hoje a ler uma revista antiga, dessas que acompanham o jornal no fim de semana, ausentei-me um pouco das minhas preocupações actuais. Fiquei ali sentada a ler historias de vida de mulheres monumento. Senhoras distinguidas com prémios nacionais e internacionais. Todas elas coincidem em alguns aspectos: grande capacidade a nível de decisão, algures no tempo tiveram que fazer escolhas difíceis, um casamento estável e longo com casos de mais de meio século de partilha e companheirismo.
Depois de ler o artigo fiquei com vontade de superar.
Pessoas como eu, por defeito ou acerto de natureza, sempre vão ter dentro do peito um bichinho roedor, sempre vão sentir ali algo que se move, que pica, que inquieta e que obriga a mudar de posição.
Eu perdi todas as primaveras dos últimos oito anos. Agora olho para as papoilas no parque da cidade e sinto orgulho por ter sabido voltar para elas. Olho a minha volta e vejo filhos barulhentos e alegres na casa dos meus amigos, vejo que alguns que eram melancólicos ja não tem mais tempo para luxos desses. A maior parte da gente ja quase nem se questiona por coisa nenhuma. Mas algo estranho nessa gente, me surpreende: são felizes. Não ha nenhuma tragédia que lhes possa acontecer, sozinhos. Existe qualquer coisa tão grande como por ter filhos nunca mais se poder parar na estrada por preguiça ou tristeza. Entre tantas outras coisas.
Ainda fico parada em Santa Catarina como se aquilo tudo fosse magia. E vem ai o tempo das cerejas, quanta emoção.
Mas sinto-me, pela primeira vez, passar pela vida e vê-la passar, com a mesma irresponsabilidade juvenil de quem faz Erasmus. Olho para a minha vida vida e não é isto, olho para a vida deles e também não é aquilo.
(...)

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