sábado, 19 de março de 2016

Dia do pai

Dia da minha mae.
Foi ela a gravata la de casa. Foi ela que nos criou aos quatro e que nos deu todo o amor que havia no ser dela, e o que não havia ela inventou e buscou debaixo de pedras. Foi ela que nos limpou o ranho e nos deu ralhetes por causa da escola, que nos penteou com pressa e nos catou os piolhos. Foi ela que contou os tostoes e teve que escolher para qual dos quatro comprar sapatos, foi ela que nos acalmou a febre na nossa infância e ainda hoje e ela que o faz como ninguém. A mae das canjas com hortelã, a mae das meias de malha grossas no inverno, a mae de tantas lagrimas, a mae de rosto belo e cigarro na boca, a mae guerreira. Foi ela sozinha quem teve que enfrentar natais, quem nos esfregou Vicks no peito por debaixo das camisolas interiores antes de dormirmos. Foi ela que foi comigo a universidade ver se o meu nome constava na lista dos aprovados, foi ela que me comprou os primeiros pensos higienicos e me ajudou a ser a mulher que sou hoje. Com as suas falhas e ausências mas ela foi a melhor do mundo. Quatro criancinhas, quatro fodidas criancinhas a espera de terem tudo o que todas as outras tinham e como todas as outras também a viverem um 19 de marco uma vez por ano. Ninguém substitui um bom pai, mas a minha mae, no nosso caso, deixem-me que vos diga, substituiu quase uma família inteira.
Foi, considero agora que estou quase nos quarenta, um milagre ter tido aquela mae, que foi também - e ainda e - o melhor pai do mundo.
Um beijo grande, sejam bons pais.

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