quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Chao de madeira

Ainda estou pasmada como quem vive um primeiro amor, tudo no Porto me encanta.
Num dia desta semana palmilhei uma boa parte desta cidade a pe, tirei fotografias e parei a olhar como se tivesse todo o tempo do mundo; vi as coisas com outros olhos novos, olhos que eu trouxe da minha ilha.
Depois daqueles primeiros dias belíssimos de frio e de céu azul, chegou uma semana de chuva e dias cinzentos. Ainda me sabe bem este tempo, tinha saudades do Inverno. Mas não sou daquelas pessoas que afirma contra maré que o Inverno é psicológico; não é. Para quem tem que levantar cedinho todos os dias e sair para a rua e apanhar transportes públicos, o Inverno assim teimoso e constante chega a doer. Mas ha imensa coisa boa no tempo do frio e mesmo não sendo possível desfrutar deste tempo a tempo inteiro, ha muitos bons momentos que so podemos viver em dias assim.
De resto fico parada minutos largos na marquise, a olhar la para fora a ver a chuva cair; a ouvir-lhe a canção, a ver os carros circular, os corpos em movimento apressado guardados por guarda-chuvas sem graça. Sinto-me confortável enfiada num pijama de urso, quentinha de manta no sofá. Desperto durante a noite e sinto paz; estou em casa. Uma casa tao velhinha, com um chão de madeira.
Fecho os olhos sempre que penso no futuro, não quero ficar ansiosa; procuro ter presente o pensamento de que tudo vai depender muito de mim mesma.
Recebi alguns telefonemas a dar-me as boas vindas. Outras pessoas preferiram esperar, não ligaram; algumas continuam a espera. Mas houve gente que me ligou de Lisboa e isso, confesso, trouxe-me um certo calor mais quentinho. De maneiras que dentro de dois meses eu ainda vou estar a cumprimentar gente. Deixa rolar, para que cansar tanto? Não.
Discute-se a TAP e eu vou comprando jornais sem os ler; um dia destes pego neles. So me apetece ficar a observar o voo das aves, ha tanta agua e tanto verde por todo lado. As tangerinas cheiram tao bem...
Não sei se vou ser mais feliz, mas acho que quando decidimos viver a nossa historia, quando decidimos que a importância de ser feliz consiste fundamentalmente em ser-se boa pessoa, tudo se vive e se pratica de forma mais tranquila.

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