sábado, 28 de novembro de 2015

Nao tenho tirado fotografias, nao tenho feito caminhadas, nao tenho cuidado da casa nem sequer encaixotado a minha vida reunida nos dois ultimos anos. Tenho dormido manhas inteiras, ontem comprei um livro: Arenas movedizas, do extraordinario Henning Mankell; tenho bebido vinho como quem comemora algo muito especial, tenho escrito a velhos amigos e descoberto muitas coisas, sobre mim e sobre os outros; tenho olhado o mar com amor imenso... o meu mar, a minha casa do meio.
Tenho estado inseparavel do gato e da baby, escuto mais musica, hoje fui a uma exposicao.
Os dias passam e sinto-me bem com a decisao que tomei. Nao sei quantas pessoas o fariam no meu lugar, mas sei que nao se trata de valentia. Valente mesmo é quem nao tem nada e atravessa o mundo de uma ponta a outra com dois trapos as costas, sem documentos, sem futuro, sem nada. Eu so tenho a sorte de poder tomar um caminho ou outro, e de encontrar ainda algumas pessoas que me irao acompanhar sempre - quer eu esteja de um lado ou do outro dessa estrada.
O mais importante na vida nao é o que temos e sim quem temos, sera sempre. Depois disso somos feitos de muitas pequenas aventuras que vao dando lugar a um puzzle. Conheci a cultura islenha - incomparavel -, aprendi a viver com uma tal liberdade no olhar que nao vos posso descrever, agora falo castelhano e conheci gente indispensavel para a minha formacao pessoal que se nao tivesse naquele dia enfiado uma mala com quatro coisas naquele aviao, nunca teria conhecido. O sol e a chuva agora tem outro valor para mim. Ca dentro estou mais calma, mais forte, mais segura.
Faz tanto sentido esta viagem de oito anos, nao é grande esta frase? É.
Estou exactamente no ponto do caminho onde me sinto bem, onde quero estar. Agora sei que vou aprender coisas novas, que a minha vida nao parou ali para sempre, em dias todos milimetricamente iguais.
Nunca aspirei a uma carreira, ao topo. Sou mais feliz com outros aspectos e sinto-me orgulhosa nesse sentido: nao sou escrava de uma posicao social, so preciso de quatro trocados para nao ser engolida por esse mundo que nao me representa.
Se der tudo errado, como sera? Nao sei, se esse dia chegar, tenho alma e formacao suficientes para enfrentar com dignidade.
Se calhar estou so a procura de quatro dias de felicidade, mas que podem fazer valer a pena quarenta anos de vida.

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