terça-feira, 15 de setembro de 2015

Oito anos de exilio

Nao vai ser facil regressar. As pessoas que deixei nao sao mais as mesmas, as suas vidas nao sao as mesmas, nada nem ninguem ficou a minha espera todos estes anos; nem sequer eu volto a mesma que um dia partiu. Seria de egoista esperar que as vidas das pessoas que amo parassem com a minha. Encontrarei a cidade diferente, terei que fazer-me filha outra vez. Eu sei la se tenho a mesma garra daqueles tempos, se sou capaz de esgravatar um lugar meu, sequer se esse lugar existe. Sei exactamente ao que virei costas quando decidi vir embora, era mais valente. Agora nao sei porque parto, ao que vou.
Aqui fui muito feliz, aprendi muitas coisas sobre as montanhas, o mar, o ceu, o silencio; sobre a paz interior. Sobre a dimensao humana, a maldade, a pequenez de alma, a escassez de valores, fiz um master. Nesse sentido fiz-me rocha, testei muitas vezes os meus limites, eduquei a minha paciencia. Nao foi uma viagem em vao, vim porque tinha que vir, vim para crescer, e cresci.
Esta vontade de voltar para casa grita tao alto como a vontade que tive no dia em que decidi partir. Gostava que os ventos soprassem a favor, nao sou mais capaz de voar sozinha.

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