sábado, 5 de setembro de 2015

Chegou setembro. Entrar ca dentro, acomodar a casa do coracao.
Que seria do verde das serras sem o mes de setembro, como saberiamos nos o gosto do mel inventado no brilho magico desses entardeceres. Como quando fazemos as malas depois de umas ferias de sonho e sabemos que vamos viver para voltar, e esse instante de certeza na nossa alma (essa especie de setembro) faz-nos tao felizes como nos fizeram as proprias ferias. Acordar nos dias livres e ficar na cama, de olhos fechados, a ouvir na rua o trotar dos troleis dos miudos apressados a caminho do colegio. Ouvir-lhes a voz cheia de vida, os sorrisos alegres vestidos de regresso e reencontro, beber-lhes essa energia matinal que nunca mais vamos voltar a ter como tivemos naqueles tempos de estudante. Gosto da velhice das folhas das arvores, do ruido nostalgico quando caminhamos sobre elas; os parques nas cidades enchem-se de rituais que so os poetas percebem. Tao bom aconchegarmo-nos nessas primeiras noites mais frescas. Dar treguas a vida, terminar um livro de cronicas e ficar sem pressa de voltar a ler, viver esse tempo tao justo para assimilar. Deixar o mar banhar-se, despir-se de vestigios, como um gato que se lambe antes de dormir.
Respeitar. Deixar partir, permitir chegar.
Setembro é como essa imperceptivel permissao que damos ao vinho que chambrea enquanto seduzimos e somos seduzidos. Magia pura.
(...)

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