terça-feira, 29 de setembro de 2015

O meu Matthewsinho (que mais ninguem lhe chama assim)

E o Porto ganhou...

Nunca mais consegui torcer pelo FCP depois da aquisicao Casillas. Ca em casa chamam-me traidora. Nao da, nao o suporto mesmo, e menos ainda contra o Chelsea do meu querido Mourinho.
Mas que Chelsea tao pobrezinho, cruzes, que nervos...
A cereja no topo do bolo foi ver a carinha laroca do Casillas a dar a entrevista com ar de tao bom menino, sem dizer uma unica palavrinha - uma so - em portugues (Que lingua é essa, existe??).
Mas o portuga nao gosta, o portuga adora. Mal posso esperar pelos primeiros frangos, o que pode nem acontecer porque basta uma boa equipa que faca o trabalhinho certo e um tipo vive ali a vida inteira de papo ao sol e ninguem da por ela anos a fio, que ja vi gentinha assim a chegar a estar no topo e ser considerado o melhor.
E o Pintinho? Faz anos que nao via esta figura. Pfffffffffff, sempre no seu melhor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Hoje foi um dia bom. Contei uma historia a minha sobrinha e consegui que ela percebesse a essencia do conto. Comprei-lhe uma Biblia ilustrada e lembrei-me de como me senti especial no dia em que - ha muitos anos - ganhei a minha. Passeei pelo jardim botanico e trouxe para mim uma orquidea, para colocar no lugar vazio que deixou a planta que me morreu esta semana. Choveu e eu fiquei de janelas abertas.
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domingo, 27 de setembro de 2015

Semana para sobreviver. Dormir dez horas consecutivas durante duas noites seguidas, desconectar do mundo, nao poder mais ignorar o vermelho a piscar. Semana de exames medicos. De tanto cansaco que nao reguei as plantas; e uma morreu. Sonhei que tinha dezoito anos, foi terrivel. Na guerra do trabalho ganhei batalhas importantes, mas ninguem sabe que cheguei a casa e nem forcas tive para tomar banho.
Semana de parar com todos os planos; de pensar que nada importa tanto como estar viva; de agradecer a Deus o sol e a chuva, e as aranhas todas que andam no mundo nunca gostei de aranhas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Outono

A mae trouxe-me folhas caidas, guardadas entre as paginas de livros. Amarelas, castanhas, verdes, cheias de beleza e intensidade, cheias de vento e urgencia. Cheiram a outono, aos caminhos, ás ruas da cidade.
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domingo, 20 de setembro de 2015

Os pais chegaram de Portugal. Tudo muda quando eles estao, os meus grandes companheiros desta Vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O sorriso do Samuel

Acho que foi a UNICEF que publicou a imagem. De um menino orfao de pai e mae, vitimas de ebola no ano passado. O Samuel parece, naquela imagem - e acredito que seja - a crianca mais feliz do mundo. Ele ganhou livros novos, sapatos e um objectivo: estudar.
O Samuel ja perdeu tudo o que eu ainda tenho. Olho para a imagem dele a sorrir, os dentes brancos num contraste com a pele negra, os olhos entusiasmados: tanta alegria quase me choca.
Uma imagem destas, e percebemos que nos falta crescer tudo.
(...)

Das coisas que vou aprendendo

A gente que teima em ser superior aos demais, essa gente que nao faz questao de jogar limpo, que nao tem brilho no olho nem lareira acesa no coracao, nao precisa da nossa furia. Essa gente, sozinha choca contra um muro; essa gente, sozinha cai.

Muito nivel

Impressionam-me as imagens, continuam a causar-me espanto

"Hungria 1956-1957. A memória dos povos é curta, demasiado curta. Na sequência da revolução de 1956 - alguns chamam-lhe contrarrevolução -, que culminou com o bombardeamento de Budapeste pelo exército soviético e com uma repressão sangrenta que se prolongou por anos, mais de 250.000 húngaros abandonaram o país como refugiados, boa parte dos quais acabou por ser acolhida na Jugoslávia e noutros países europeus. Aconteceu há menos de seis décadas."

Por cima de todos os nossos medos, bem acima deles, deve permanecer uma certa lucidez que nos obrigue a ver que alem fronteiras existe gente igual a nos. Que devemos salvar como gostariamos de ser salvos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Flash




September
Perdi peso, tres quilos em dez dias. Sem esforco, apenas com doses anormais de stress. Hoje quando cheguei do trabalho enfiei um trapo leve e sai para caminhar junto ao mar. Os meus pes precisavam de areia, eu precisava do mar. Ha muito tempo que as unicas coisas que me curam sao os abracos da minha sobrinha e os momentos que vivo junto ao mar. Caminhei durante duas horas e fiquei como nova.
Cheguei a casa, tomei um banho e vim sentar-me a beber um vinho e a descarregar fotografias para o computador. Preciso de um pouco de loucura na minha vida, um pouco menos de paz. Uma paixao proibida, sei la... Preocupar-me menos com os outros, viver mais o aqui e agora.
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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Crazy little things

"Mas que besarla, mas que acostarnos juntos; mas que ninguna otra cosa, ella me daba la mano
y eso era amor."
Mario Benedetti

Flash


 "Hay una luz que brilla mas alla de todas las cosas, mas alla de todos nosotros, mas alla de los cielos, mas alla de lo mas elevado entre los cielos elevados. Es la Luz que brilla en nuestro corazon."
Chandogya Upanishad/Mascaro

Oito anos de exilio

Nao vai ser facil regressar. As pessoas que deixei nao sao mais as mesmas, as suas vidas nao sao as mesmas, nada nem ninguem ficou a minha espera todos estes anos; nem sequer eu volto a mesma que um dia partiu. Seria de egoista esperar que as vidas das pessoas que amo parassem com a minha. Encontrarei a cidade diferente, terei que fazer-me filha outra vez. Eu sei la se tenho a mesma garra daqueles tempos, se sou capaz de esgravatar um lugar meu, sequer se esse lugar existe. Sei exactamente ao que virei costas quando decidi vir embora, era mais valente. Agora nao sei porque parto, ao que vou.
Aqui fui muito feliz, aprendi muitas coisas sobre as montanhas, o mar, o ceu, o silencio; sobre a paz interior. Sobre a dimensao humana, a maldade, a pequenez de alma, a escassez de valores, fiz um master. Nesse sentido fiz-me rocha, testei muitas vezes os meus limites, eduquei a minha paciencia. Nao foi uma viagem em vao, vim porque tinha que vir, vim para crescer, e cresci.
Esta vontade de voltar para casa grita tao alto como a vontade que tive no dia em que decidi partir. Gostava que os ventos soprassem a favor, nao sou mais capaz de voar sozinha.

Placebo do amor

Mulheres tambem pensam nessas coisas.
Hoje dei comigo a lembrar-me de amores e paixoes que vivi. Onde me demorei mais tempo a pensar foi precisamente na paixao mais breve que tive, e que sem duvida nenhuma foi a minha melhor experiencia de cama. Um homem fisicamente feio, e tao interessante. Eu nao poderia ter ficado com ele, na realidade nao o amei, mas sem duvida alguma que sem ele eu hoje nao saberia tao bem a importancia que pode chegar a ter essa faceta de um relacionamento. É um bocadinho mais alem do simples cliché de que amor sem sexo é amizade ou que sexo sem amor é vicio. Quando amamos suportamos sexo razoavel, ha quem suporte ate mau sexo ou ausencia de sexo; anyway amor sera sempre outra conversa.
Com ele percebi que é fascinante poder viver esse lado visceral, essa entrega fisica total e absoluta, essa seducao pura, paixao latente na pele, sem limites. Nao foi amor, mas foi algo tao divino que tocou o sagrado. Terei cem anos e certamente ele fara parte das minhas memorias mais secretas.
Nao acredito que seja possivel viver o que eu vivi com ele, com amor. Seria demasiado, seria mortal.
Segunda quinzena de setembro. Dias tao belos, uma luminosidade que conforta a alma. O mar calmo, os ventos domados, gente na praia as nove horas da manha. Um silencio que cura, um sol que nao fere, gaivotas serenas.
Como se a propria vida respirasse em paz...

Da vida real

domingo, 13 de setembro de 2015

O mundo visto com os teus olhos limpos

Hoje na praia, do alto dos teus quatro aninhos de vida, com a voz carregada de compreensao, disseste uma frase tao grande:
"Tia, todos somos personas diferentes."
E no caminho para casa quando me pediste colinho e a tia te disse que estava cansada mas mesmo assim te colhi em braços, disseste-me com voz de amor:
"Todas las tias del mundo son magicas."

Gente que sabe

Aquela senhora de oitenta e seis anos, com uma acentuada e ao mesmo tempo normal deficiencia auditiva, recusa-se a usar o aparelho auditivo. Usa-o exclusivamente quando vai a missa. Diz ela que deste mundo ja escutou mais do que lhe poderia interessar.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Coisas de emigrante

Os pais foram uns dias a casa, ao Porto. Pedi-lhes para me trazerem algumas coisas: capsulas Nespresso, paus de canela, um livro do Antonio Lobo Antunes, dois vinhos. Lembrei-me agora que ja a abusar, em modo excentrica, mais logo vou telefonar a pedir tambem o obsequio de uma garrafinha de azeite Gallo.
Manhã cinzenta e quente. Praia sossegada, um pequeno grupo de meninos e meninas de infantario corre e brinca na areia. A montanha escura, dorme. Pássaros em debandada, parecem ter hora marcada em algum lugar. Dois adolescentes, aquela hora, poisam a mochila no banco da praça e param dez minutos a encestar na tabela de basket. Acertam pouco, riem muito.
(...)

domingo, 6 de setembro de 2015

"Os que chegam à Europa representam uma pequena percentagem dos quatro milhões de sírios que fugiram para o Líbano, Jordânia, Turquia e Iraque, transformando a Síria na maior fonte de refugiados em todo o mundo e na pior crise humanitária em mais de quatro décadas."
Publico
Depois de ler tanta barbaridade nas redes sociais, estava mesmo a precisar de ler este texto. Obrigado Maria Capaz, reconforta saber que alguem pensa assim:

"(...) Que tipo de pessoa é o teu vizinho, o teu pai, o teu primo, para se esquecer assim da história. Da nossa e da do mundo?
Quem se esqueceu dos seiscentos mil portugueses que foram obrigados a abandonar África de um momento para o outro?
Quem é que faltou àquela aula de História onde nos diziam que, mesmo depois de terem morto seis milhões de judeus, duzentos e cinquenta mil espalharam-se pelo mundo por não terem para onde voltar, já que as suas casas, os seus negócios, as suas vidas, haviam sido dizimados pela guerra e pela perseguição?
Eu sei que temos pouco, que mesmo na porta ao lado há uma avó que já não tem visitas ou dinheiro para os remédios, nem quem a ajude a limpar a casa ou a pentear o cabelo e que, eventualmente, tem netos que vão de barriga vazia para a escola, levados pela mão do pai que perdeu o emprego e nunca mais o encontrou. Eu sei. Mas por mais incrível que possa parecer, não são esses “temíveis” refugiados que prenderão cada um dos portugueses à derradeira situação onde chegaram, acreditem. Com eles ou sem eles, a nossa história continuará a correr, com tanto mais de sobrevivência como até aqui. Eles não nos roubarão os empregos, como os ucranianos ou os romenos não o fizeram. Ou as prostitutas de Bragança.
Não serão mais criminosos do que nós em frente a um filho com fome e as fronteiras são coisa tão pequena para a condição humana. Há gente a morrer todos os dias. A tentar viver, morrem. E nós, que temos uma vidinha de merda, de casa a pagar na Brandoa e carro em leasing para mais de vinte anos, temos medo que eles nos tirem exactamente o quê?
Temos medo que eles nos mostrem a nossa fragilidade. Que o que entendemos por paz pode abalar-se de um momento para o outro. Que o nosso filho não ter a mochila do homem aranha não é sequer assunto para ser mencionado, porque amanhã pode morrer a fugir de um homem qualquer com uma arma na mão, seja por que razão for.
Eu não gosto de ver fotografias de meninos mortos! Mas a cada vez que alguém se emociona nasce uma subespécie humana. A que cuida. A que se solidariza. A que vai à despensa contar quantas latas de atum pode doar porque já todos aprendemos que se vai de grão em grão e então aí, quem sabe, tanta desgraça possa fazer algum sentido.
E a História que ajudámos a construir com as nossas partidas e chegadas, com tantas mortes nossas no mar e nas fronteiras ou nos calabouços das cadeias, já nos ensinou que quando acolhemos, crescemos. Nem que seja para os lados, já que antes dos retornados não se vendia por cá frango assado.
O mundo, no sentido de terra, de planeta, de solo, não é meu nem teu. Nós apenas tivemos a sorte de nascer do lado ocidental, como as batatas. Mas se ninguém nos levantar e mudar o plantio, eu, tu, nós, eles, grelaremos, murcharemos em charco, porque é na alternância que se dá a vida. Se for preciso uma fotografia de um menino morto ou qualquer outra coisa para nos acordar, deixemos que a humanidade nos emocione e nos envolva e permaneçamos fortes na intenção de sermos sobreviventes. Todos. E principalmente: Juntos."

Flash


sábado, 5 de setembro de 2015

Chegou setembro. Entrar ca dentro, acomodar a casa do coracao.
Que seria do verde das serras sem o mes de setembro, como saberiamos nos o gosto do mel inventado no brilho magico desses entardeceres. Como quando fazemos as malas depois de umas ferias de sonho e sabemos que vamos viver para voltar, e esse instante de certeza na nossa alma (essa especie de setembro) faz-nos tao felizes como nos fizeram as proprias ferias. Acordar nos dias livres e ficar na cama, de olhos fechados, a ouvir na rua o trotar dos troleis dos miudos apressados a caminho do colegio. Ouvir-lhes a voz cheia de vida, os sorrisos alegres vestidos de regresso e reencontro, beber-lhes essa energia matinal que nunca mais vamos voltar a ter como tivemos naqueles tempos de estudante. Gosto da velhice das folhas das arvores, do ruido nostalgico quando caminhamos sobre elas; os parques nas cidades enchem-se de rituais que so os poetas percebem. Tao bom aconchegarmo-nos nessas primeiras noites mais frescas. Dar treguas a vida, terminar um livro de cronicas e ficar sem pressa de voltar a ler, viver esse tempo tao justo para assimilar. Deixar o mar banhar-se, despir-se de vestigios, como um gato que se lambe antes de dormir.
Respeitar. Deixar partir, permitir chegar.
Setembro é como essa imperceptivel permissao que damos ao vinho que chambrea enquanto seduzimos e somos seduzidos. Magia pura.
(...)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O impensavel nos nossos dias

Hoje ao ver as noticias sobre os refugiados, aquela gente toda apinhada num trem, aquela gente desesperada, com miudos ao colo, aquela gente que pagou um bilhete para uma viagem num comboio que andou sessenta quilometros e parou no meio do nada sem mais destino, lembrei-me das imagens dos judeus na segunda guerra mundial...
Aterrador, tremendamente triste.