quinta-feira, 26 de março de 2015

Gostava mesmo de lá ter estado

Em Gran Canaria, estes dias. Para ter tido o prazer imenso de conhecer o excepcional filosofo Zygmunt Bauman.

P: Aos noventa anos, o que é a felicidade para o pensador Zygmunt Bauman?

R: Sobre isso digo o que disse Goethe, o grande poeta romantico alemao ao que aos noventa anos, a minha idade actual, lhe fizeram a mesma pergunta. Ele respondeu que recordava ter tido uma vida muito feliz, mas acrescentou que nao recordava ter tido uma semana inteira feliz. Trata-se de uma reflexao muito profunda porque significa que a felicidade nao consiste num estado ininterrupto de prazer, senao que sao momentos que surgem e so acontecem quando superamos retos, dificuldades e encontramos formas de resistir a pressao. Hoje em dia vivemos um tipo de enfermidade, de praga no mundo moderno. Supoe-se que todos os dias deveriamos estar felizes e que a felicidade se deve coleccionar para alcancar o melhor nivel de vida. Ha uma etica que nos sugere que a felicidade nos é devida, e que todos os que estao a nossa volta deveriam contribuir para ela, pelo nosso direito a ter-la. E é uma doenca que basicamente se formou pela sociedade do consumo, em que as estradas no caminho para a felicidade passam obrigatoriamente por lojas... Isto é muito destructivo, primeiro porque nao é real esta forma como se define a felicidade, e segundo porque tambem é insostenivel para o nosso planeta.

La Provincia, Gente e culturas
24 Marzo 2015

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