segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

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Estes dias assim. Esplendidos. Atrasados no tempo do meu calendario artesanal sobre o frigorifico porque me esqueço de mover as peças. Em que releio livros antigos aos quais volto sempre, e faço contas com os dedos e somo vinte anos desde que li o Crime e Castigo de Dostoievski. Em que o sol debil das tardes desmaiadas se deita sobre a espuma branca das ondas na praia, e a Primavera chega de mansinho. Em que sinto e acredito que a Vida poe a todos e a cada um em seu lugar. E nos entremeios o Amor vence: vence sempre e vence tudo. Em que a alegria de caminhar mora na finitude da palavra chegamos, porque um dia chegamos. E quantas vezes chegar nos enche a alma de gratidao e o peito de uma vontade ferrea de inaugurar novas rotas. Dias em que abro portas e janelas, e aperto laços e construo pontes. Dias assim, em que nao temos nada mas temos tudo, porque o tudo está a salvo, bem a salvo, dentro de nós.

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