quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Cada vez mais preciso de silencio, de noites bem dormidas, de comidas ligeiras. Ja nao desfruto de um vinho como antes, nao sinto necessidade nenhuma de me embelezar para festas, mesmo que seja um casamento ou o final de ano. Sempre li muito mas ultimamente leio todo o tempo. Confesso que nao sei se seria capaz de compartir o espaco da minha casa com alguem de forma constante. Ao mesmo tempo que valorizo cada vez mais o meu lado espiritual, percebo que nao sou capaz de abrir mao de um certo conforto no que diz respeito a determinadas coisas. Comeco a ter consciencia que as pessoas mais importantes na minha vida nao sao eternas, que o meu feitio nao e o mais facil e que ja estou a gastar a minha segunda metade da vida. Sao pesos pesados.
Uma parte de mim envelheceu quase repentinamente, foi-me dito por um medico ha quase dez anos, sabia que ia acontecer assim. Digamos que amo a Vida, mas perdi o entusiasmo.
Nao e uma fase, nao e uma situacao passageira que resulta como consequencia do tempo ou do meu estado de animo, do fim de um relacionamento, de um despedimento, de um luto. Nao e uma questao de ir ao ginasio, nao se trata do envelhecimento natural porque esse eu considero bonito. Entrei na fase irreversivel do meu corpo fisico. Entristece-me sentir-me cansada o tempo todo, nao me preocupa a pele ou o rabo ou o peito caido, nao sou do estilo; preocupa-me a intolerancia cada vez mais acentuada dos meus olhos, o meu figado e os meus rins e todas as coisas que o meu corpo comeca a nao aceitar.
Sou uma miuda de 36 anos que nem sequer aparenta a idade que tem. Como explicar que ca dentro tenho 50.

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