quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Novembro. A muda de pele, o ficar ca dentro mais do que nunca. Aninhar-me com o gato, perceber a necessidade que o planeta tem das estaçoes, e que o Outono sera sempre absolutamente romantico.
Ficar sem rumo. Sentir vontade de vestir todos os dias roupa branca. Acender velas sem força para rezar, e saber que espiritualmente so preciso de isso mesmo: luz e silencio.
Retomar as minhas caminhadas, sentir o ar fresco e limpo depois de uma chuvada intensa. Ver o Natal chegar de mansinho ás nossas ruas, ás lojas, ás crianças. Lembrar que pela primeira vez na minha vida, o Natal para mim chegou em Outubro.
Escutar o murmurio do mar revolto, fechar os olhos ali naquele instante: das coisas que mais me acalma. Entender, aceitar, nao fingir que nao tenho medos. Nao esperar nada - absolutamente nada - de ninguem: das aprendizagens mais dificeis. Esperar, apenas da Vida: o sol das manhãs, as aves que chegam, as festas do povoado, o aconchego das lãs.
Perceber que o que sinto por ele, nao é o mesmo que ele sente por mim. Morrer de tristeza, de olhos bem abertos. Por mais que me custe, o Universo está certo; ele sempre caminha em direccao ao equilibrio.
Esquecer. Fechar as janelas da minha alma.
Novembro. O mais cinzento de todos os Novembros. Focar-me na unica realidade que tenho: o presente. Perceber que tenho uma vida esplendida e uma sorte dourada.
(...)

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