sábado, 29 de novembro de 2014

Ontem estivemos com alerta vermelho por ventos fortes. Quando a coisa chegou ao povoado metia medo, tinha contornos de furacao. Num apice as ruas ficaram desertas e as casas trancadas. Ouvia-se vidros a estalar, coisas a quebrar, gritos, sirenes e alarmes. De repente ficamos as escuras, todo o povoado. Entre a montanha e o mar danado, tudo breu. Peguei no nordico, na caixa de velas e fui dormir no quarto das visitas porque a janela do meu quarto parecia ter vida propria e querer voar: assustador. Liguei para casa e estavam todos juntos, fiquei aliviada. Depois sozinha fiquei a olhar para a chama da vela. Se de repente o mundo acabasse, que pena...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Temporal de novo, algum frio, cinzento fechado, vento zangado.
Amanha e sabado serao dias de trabalho de Deus nos acuda. Mesmo assim, sabe bem regressar. Gosto de trabalhar, creio que essa rotina sustem uma metade inteira de mim.

Flash

"Por vezes, nao sei de que lugar sou; talvez nem seja de lugar nenhum. Tenho coraçao de nómada."
Maria da Assunçao Avillez, in Viagens, Almas e Vidas

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Chuva

A agua que cai do ceu é a coisa mais abençoada para esta terra. Choveu mais nos ultimos quatro dias do que no ano passado inteiro. Numa viagem de carro vem-se pocinhas de agua pelas margens da estrada, a terra esta como que agradecida, que frescura no ar, que noites mais bem dormidas.

Masterpiece

Ha dias assim, em que desperto com vontade de ser ainda mais bonita. Animo certo para renovar aquelas coisas basicas, indispensaveis: um rimel da Clinique, um creme facial Be+ luminosidade, roupa interior comoda sexy e confortavel. Uma manhã no cabeleireiro para provar um tratamento novo com queratina, acompanhado de uma espectacular massagem ao couro cabeludo. Sair de la com um cabelo bem mais curto, a adorar-lhe a textura e o brilho. Namorar a nova coleao de pulseiras da Guess, comprar uma porque eu mereço. Ficar de olho numas legging da Naf Naf. Comprar a revista Hola, levar plantas novas para casa e ser ajudada por um desinteressado cavalheiro a subir-las os dois andares de escadas. Receber uma mensagem de um admirador de longa data - um homem resistente. Sorrir sozinha enquanto leio a mensagem. Acordar mais tarde por ter ficado á conversa durante a madrugada. Comprar trufas de chocolate de marca branca, baratissimas e deliciosas. 
Morrer de saudades das minhas amigas e perceber que irmaos sao o melhor presente que nos podem dar os pais.
Depois da crise da semana passada, esta sou eu: uma gata sempre aos tombos, mas que cai de pe.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Flash

Sol na alma.

News

Sou apaixonada por senderismo, resolvi mergulhar de cabeca: em Janeiro vou juntar-me a um grupo que organiza umas quantas caminhadas por ano aos picos altos da ilha, aos barrancos mais escondidos. A cereja no topo do bolo e que o grupo esta aberto a participantes com dificuldades extremas, gente sem pernas por exemplo. Caminhar, natureza, fotografar, conhecer gente nova e partilhar alguns ideais, aprender com os outros, crescer.
Sabe bem so de pensar.

Magia

Dias em que apetece recomeçar, restaurar a paz dentro de nós como o elemento jurassico do nosso equilibrio interno. Amassar o barro da alma outra vez, edificar ulguma coisa maior, nova: alguma estrela, sei la.
Entrei na casa das linhas, decidida: De-me uma fita vermelha, resistente, o mais discreta possivel.
A senhora vendeu-me meio metro de uma especie de cordao fino de couro: Dez centimos - disse.
Atei ao pulso, dei tres nós. Pedi felicidade, que é um bocadinho mais do que saude, amor, trabalho. Felicidade, isso mesmo. Momentos de gloria, pós de perlimpimpim, pequenos flashes em que nos tornamos imortais, em que sentimos que podemos vencer tudo, em que somos capazes de voar atordoados numa vida que vale a pena.
A pulseira vermelha por si so nao me pode trazer nada disso, ela esta atada ao pulso so para me lembrar todos os dias que é preciso ser feliz. Acreditar sempre na magia de estar Viva.
Esta manhã no pão quente:
Ele, um senhor na casa dos sessenta e tantos anos: Da-me duas barras de pão, que algum dia casamos.
Ela, uma rapariga na casa dos quarenta anos: Sempre a mesma conversa. Ja fui casada quinze anos, não quero mais.
Ele: Não, não foste casada, dissimulaste que eras casada.
Ela: Quinze anos e não fui casada?!
Ele: Eu levo quarenta anos, e apaixonado...
Ela: Pois pois, por isso vem aqui todos os dias buscar pão e dizer-me que algum dia casamos.
Ele: E casamos. Mas so se não existir a minha mulher, evidente. Da-me o pão rapariga, que tu não sabes o que significa a palavra "casar".
Divertido, olhou para mim e piscou-me o olho. Ela fingia ja ter perdido interesse na conversa. Quando ele saiu, ela disse para si mesma: Velhos com a mania...

Acho que ela nao percbeu o que ele realmente quis dizer.

domingo, 23 de novembro de 2014

Domingo de chuva

Dia de namorar a familia. A mae fez uma caldeirada de peixe, coisa que me faz perder a cabeca. O pai pos na geleira um vinho branco de Vila Real. Abrimos um queijo de um pastor da Beira Alta, coisa mesmo muito especial. Vimos filmes antigos, que me deixam sempre a sentir ainda mais a teimosa princesa que mora dentro de mim. Ri e brinquei com a minha sobrinha, muito. Abracei as minhas irmas. Pintei as unhas de vermelho natal. Trovejou forte e descobri que ja nao tenho mais medo dos relampagos. Discuti politica com o pai, esgotamos o assunto Socrates. Li um conto que fala do melhor presente que podemos oferecer as pessoas quando as amamos: tempo, o nosso tempo.
E dei por mim a ser feliz.

sábado, 22 de novembro de 2014

Flash


Novembro 2014
Esta semana lia sobre a instabilidade politica que se vive actualmente em praticamente toda a Europa. Sobre a corja de ladroes que nos roubaram a educacao e a saude para assim poderem pagar vidas sumptuosas. Culpou-se a geracao dos nossos pais que tanto batalharam, a dos jovens de hoje que tanto sonham, quando os culpados sao os ladroes de gravata. Le-se por toda a parte, Portugal vai-se vendendo em saldos a China e a Angola; Espanha aguenta-se fingindo o tempo todo que ha mais baloes de oxigenio. As pessoas sao excepcionais, reinventam-se a nivel de creatividade o que demonstra que se dependesse do potencial humano, num estalar de dedos davamos a volta. Mas nao ha massa produtiva nem povo que se sacrifique capaz de resistir a tantos luxos e impressionantes contas bancarias. A ideia que realmente me tem deixado a pensar com alguma preocupacao no rumo que segue a embarcacao Europa, é a da instabilidade a nivel de regras, tao diferentes de um pais para outro, de um cidadao da mesma Europa, para outro. O meu medico de familia e arabe, um senhor muito amavel e ate a data profissional. Nao sou preconceituosa, mas sou atenta. Esta semana precisei de ir a enfermaria do meu centro de saude. O meu querido enfermeiro, um senhor ja de idade, conhecido de toda a vida de todas as familias da vila, atendeu-me com a mesma categoria excepcional de sempre. Com a pequena diferenca de que estava acompanhado de um jovem arabe, enfermeiro em praticas, que imagino que sera o substituto num tempo proximo. Um reparo de minha parte: o rapaz era simpatico e preocupado mas tinha as unhas sujas. Sujas; um enfermeiro. Eu que fiz estagios em hospitais e centros de saude, nunca tinha visto tal coisa. E estao os jovens medicos e enfermeiros nativos a emigrar, e eu nao compreendo que acordos ha por detras de tudo isto. Nao sei o que se passa na Alemanha, temos o mau habito de pensar que nos outros paises tudo corre melhor. Mas estou segura de que estes filmes de terror vistos por aqui, na Alemanha estao longe de se tornar realidade. Quero acreditar que em algum pais estas coisas nao acontecem. Nasci em Angola, nao tenho nada contra angolanos, chineses ou arabes, todas as pessoas merecem uma oportunidade. Sou contra uma invasao permitida, contra a venda da identidade de um povo, contra comprometer a estabilidade de servicos toda uma vida crediveis.
Quem nos vende e quem nos rouba assim, nao deve ter planos de estar ca amanha. De certeza absoluta.

Crazy little things

Ja ouviram falar de hoteis de mil estrelas?
Existem. Assim define o Dr. Fernando Nobre os espacos ao relento onde teve que dormir nas imensas missoes humanitarias pelo mundo.
Gosto de gostar das coisas depois, no meu tempo. Ou de ja ter gostado tudo delas quando o resto do mundo as descobre, é algo que me diverte. Nao é um principio, nao é uma velha mania, acontece quase sempre de forma natural.
Ontem escrevi sobre o lado que nao tenho e gostaria de ter, hoje escrevo com alguma vaidade sobre o lado que tenho e que me faz sentir unica e especial. Sou de personalidade forte, nao sou copia, nao sou nem parecida.
(...)

36

Meu aniversario.
Amanheci com um telefonema dos meus pais, eram sete horas e quarenta e quatro minutos. Malucos, doidos, euforicos como se estivessem acabados de chegar de uma das noitadas dos meus dezoito anos. Invejo-lhes a energia, oxala com o passo dos anos eu va ficando mais parecida com eles. Abri o link do JN, e a primeira noticia que li foi que o Socrates chegava de Paris e foi preso no aeroporto de Lisboa. Liguei ao meu pai, rimos ao telefone. Pus uma musica: Allways searching. Levantei da cama, por fim. Sai para desfrutar da chuva - chove na ilha e e tao bom. Mensagens, telefonemas. Uma mensagem muito muito especial: nasceu o P. Uma pequenina homenagem de minha parte, que estou longe e gostaria de estar junto: pela primeira vez na minha vida pintei as unhas de azul bebe. Para ti meu querido principe, com o meu melhor sorriso.
A mae esta na cozinha, a minha sobrinha anda de pijama pela casa, diz que esta a ver uns desenhos animados do Vincent Van Coco! Com tres anos e nao para de pegar-me nas maos e dizer que quer que eu lhe pinte as unhas de blue.
Demasiada energia amor e alegria, para resistir. Deixo-me ir, sacudo o po da tristeza dos ultimos dias...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Querida Cayetana

Vou voltar a ler a biografia da tao querida duquesa de Alba. Foi uma mulher livre, que amou muito, valente, simples, quase folclorica. Nunca permitiu que outros vivessem a vida por ela.
Tao bonito o que lhe escreveu o seu Afonso na coroa de flores...
Gostava. Gostava mesmo muito. De rir a vida quase inteira, ser como essa gente iluminada que mesmo numa cama de hospital brilha. Gostava de um dia quando partir, que alguem dissesse de mim Jamais se lamentou de um dia de chuva ou de uma unha partida. Gostava de adorar criancas mas so consigo ter paciencia para elas durante um par de horas. Gostava de ser toda Verao. De fazer poucos planos e embarcar em todas as aventuras.
Nunca serei essa, tenho alma de bicho raro.
Retirado do maravilhoso e incomparavel blog Deixa entrar o sol:
«Difícil de entender que tantos portugueses conheçam Ibiza sem conhecer o Gerês. Se regalem em Copacabana sem nunca terem visto São Miguel. Ou prefiram conhecer a Europa sem antes se perderem nas cidades que nos fazem ser estes. Ganham em bronzeado o que perdem sem saber que perderam. Ficam na ignorância. Estátuas de bronze, ou qualquer coisa do género. 
Uma viagem não é necessariamente um movimento de um lugar tangível para outro lugar tangível. Por vezes, tantas vezes acrescentaria, é uma viagem para um lugar sem lugar, um caminho de pedras ou de verde luminoso do que somos feitos por dentro. Mas irrita-me muito que, quando falamos das viagens que se podem fazer de avião, carro ou comboio, me venham com o verdejante das grandes parangonas internacionais esquecendo o das nossas paisagens, irrita-me. É provinciano. Talvez por ser tão português.»
Luis Osorio

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Novembro. A muda de pele, o ficar ca dentro mais do que nunca. Aninhar-me com o gato, perceber a necessidade que o planeta tem das estaçoes, e que o Outono sera sempre absolutamente romantico.
Ficar sem rumo. Sentir vontade de vestir todos os dias roupa branca. Acender velas sem força para rezar, e saber que espiritualmente so preciso de isso mesmo: luz e silencio.
Retomar as minhas caminhadas, sentir o ar fresco e limpo depois de uma chuvada intensa. Ver o Natal chegar de mansinho ás nossas ruas, ás lojas, ás crianças. Lembrar que pela primeira vez na minha vida, o Natal para mim chegou em Outubro.
Escutar o murmurio do mar revolto, fechar os olhos ali naquele instante: das coisas que mais me acalma. Entender, aceitar, nao fingir que nao tenho medos. Nao esperar nada - absolutamente nada - de ninguem: das aprendizagens mais dificeis. Esperar, apenas da Vida: o sol das manhãs, as aves que chegam, as festas do povoado, o aconchego das lãs.
Perceber que o que sinto por ele, nao é o mesmo que ele sente por mim. Morrer de tristeza, de olhos bem abertos. Por mais que me custe, o Universo está certo; ele sempre caminha em direccao ao equilibrio.
Esquecer. Fechar as janelas da minha alma.
Novembro. O mais cinzento de todos os Novembros. Focar-me na unica realidade que tenho: o presente. Perceber que tenho uma vida esplendida e uma sorte dourada.
(...)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Flash

Japoneiras em flor. Cemiterio Prado do Repouso. Porto.

Destino

"Sempre acabaremos por chegar onde ja nos esperam."
A viagem do elefante, Jose Saramago

domingo, 9 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Flash

"Perder-se tambem é caminho."
Cecilia Meireles