quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Tenho tentado focar-me na luz, no lado bom da vida, na paz imensa escondida nas coisas iguais de todos os dias. No facto de aos quase quarenta anos poder desfrutar dos meus pais vivos, sair com eles e ve-los passear de mao dada, perceber que a forma como caminham em silencio, abracados, durante tanto tempo, esconde a formula secreta do amor. Ver como cresce a minha sobrinha num meio pequeno, neste remanso de paz e frescura, onde os miudos sao todos iguais, onde o colegio deles e o melhor colegio do mundo porque tem uma horta e um espaco com animais: crescem com o burro, as galinhas, as ovelhas. Ver como ela salta e ri ao fim da tarde todos os dias nos baloicos na praia. Este clima abencoado que nos enche de luz e leveza o ano inteiro. As montanhas nuas e o mar - o mar que eu ja nao sei viver longe dele. A gente simples, de chinelo de praia e pele morena.
Dessa forma tenho acalmado o meu lado ansioso, tenho amansado a fera que mora em mim, tenho feito essa coisa fundamental para viver feliz: ficar de bem com a vida. Sempre havera contrariedades, sonhos com pressa, muros por detras de outros muros, gente cinzenta para manchar os nossos planos, sempre havera o nosso lado lunar porque todos o temos. Por pressa de viver o amanha, nao quero deixar de viver o hoje e tudo o que ele me traz. Deixar a cidade cidade fez-me perceber o quanto sou rebelde afinal, e mimada. Nao poderei nunca viver nos dois mundos em simultaneo, mas se me deixar crescer posso sempre ter o melhor de cada um enquanto nele viver.
A vida sao favas contadas, nao ha tempo para perder.

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