sábado, 27 de setembro de 2014

Flash



"A minha alegria é um aroma de tangerina nos dedos,
comer aos gomos a paisagem
e limpar depois
a boca
à manga do espanto.
Tu puxas-me
e somos duas crianças
num trilho de mata,
num banco de pedra,
num portão verde dividindo

o aqui e o ali.
Porque nós estamos aqui.
Aqui onde te entrego os meus bolsos,
e - repara - as tuas mãos cabem.
Nós estamos aqui."

Vasco Gato
in 47
Fui picada por uma vespa que devia estar tao zangada e triste como eu. Comi uma colherinha de mel, para me lembrar dos dois lados da moeda...

Que dia ha que na alma me tem posto...

Cheguei a casa e sentei-me na cozinha, completamente desanimada. Chorei e chorei e chorei.
Espero aguentar-me ate quando tiver que ser, inteira.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Flash

Praias de Portugal
 
"Era sempre o mes com mais problemas, disseram as auxiliares. Nao se sabe porquê, as pessoas metiam na cabeça morrer em Março, depois de terem sustido todos os ataques do Inverno."

Alice Munro, in Amada Vida

Ler vinte vezes a mesma coisa, quarenta anos depois

"Hoje proponho acabar com o dinheiro. Acabar. De uma vez. Sem hesitar. Acabar. Matá-lo. A tiro, a fogo, à faca, ao lixo. Dizimá-lo. Hoje proponho substituir o dinheiro por poemas. E uma quadra valeria um quilo de arroz, e um soneto valeria uma refeição completa. E eu dava um verso e recebia uma garrafa de água, e tu davas-me uma metáfora e eu oferecia-te um litro de leite. E era tão mais simples. Acabar com o dinheiro. E substitui-lo por poemas. E os mais poderosos seriam os mais poetas. E a Bolsa seria uma escola, e a casa da moeda seria a casa da poesia. E Portugal seria o que nunca deveria ter deixado de ser: um pais de poetas."

Pedro Chagas Freitas
in "SÓ OS FEIOS É QUE SÃO FIÉIS"

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Flash

Outono esplendoroso

Os incansaveis

Os meus pais. Ele carpinteiro e ela costureira. Ele sempre de cabeca ausente, como se vivesse noutro planeta o que lhe atribui uma calma invejavel. Ela tao elegante como a Audrey Hepburn, mas de maos grossas moldadas por anos de trabalho. Ha tanta sabedoria neles, na forma como se mantem juntos, na forma como nos educam e nos repreendem, na forma como nunca param de planear e empreender, na forma como nunca se cansam dos nossos erros ja de homens e mulheres adultas, na forma como de cabeca levantada saem todos os dias para trabalhar num mundo cada vez mais dificil, na forma como vencem obstaculos e na forma facil como desfrutam da Vida. A minha mae diz-nos que estamos gordas sem rodeios, e o meu pai compreende tudo - mesmo tudo - o que quisermos conversar com ele. Nao soltam as redeas da vida nem mesmo quando dormem, sobretudo a minha mae.
Somos quatro, agora tambem uma neta. A pequena tem deles o ceu e as estrelas, todas contadas.
Temos uma historia, como todas as familias, feita tambem de brigas e de lagrimas. Mas os lacos sao de ferro, indestrutiveis. Muitas vezes tenho medo do dia em que eles ja nao estarao, medo de que nao sejamos suficientemente fortes para manter todo este imperio emocional.
Nunca conhecerei outro Amor mais grande.

Flash

Esta a ficar velhinho, o meu menino eternamente pequenino. Nos ultimos dias urina no tapete da casa de banho, dorme muito durante o dia, esta demasiado quieto.

O valor da arte e dos artistas

"La gran tragedia de los seres humanos es haber venido al mundo llenos de ansias de vivir y estar condenados a una existencia efimera. Las vidas son siempre mucho mas pequenas que nuestros suenos; incluso la vida del hombre o mujer mas grandes es infinitamente mas estrecha que sus deseos. La vida nos aprieta en las axilas, como un traje mal hecho. Por eso necesitamos leer, ir al teatro o al cine. Necesitamos vivirnos a lo ancho en otras existencias, para compensar la finitud."

Rosa Montero, in El amor de mi vida
Ninguem acredita quando digo que vivo sozinha ha mais de meio ano e nao tenho televisao. Tenho um pequenino radio estilo vintage em que apenas encontro uma frequencia que me interessa escutar, o qual ligo um par de vezes por semana, normalmente quando estou a limpar a casa.
A gente ri e diz que nao sou deste planeta, a familia gosta de la ir jantar a casa mas nao quer ficar para dormir porque e estranho que nao haja uma televisao. Nao se apercebem que depois do jantar nos sentamos todos a conversa e perdemos a hora, e rimos e partilhamos muito mais o nosso quotidiano.
Acabarei por comprar a televisao por eles e por quem venha mas confesso que durante este meio ano nao senti a falta dela nem uma unica vez. Sou feliz com o silencio da minha casa, com a companhia dos meus livros e revistas.

A casa dos meus sonhos



 Imagens da Web

Gosto sobretudo que seja familiar, dos pequenos detalhes decorativos e de uso diario que confirmam que ali vive gente e existe uma normalidade diaria. Depois gosto da luz, das janelas. Casas muito pequeninas carregadas de objectos causam-me alguma claustrofobia, confesso. Portanto gosto de espaco. Madeira, fundamental; um dos meus sonhos e ter uma casa com chao de madeira. Todo mundo quer abrir uma janela e ver o mar, nao e o meu caso: desde que vim viver para uma ilha isso deixou de ser importante porque aqui onde quer que vivas das dois passos e encontras o mar, o importante mesmo e estar perto do mar.
Mas o que realmente gosto numa casa, o que mais me fascina, e o verde; esses espacos onde te sanas naturalmente do stress diario, onde te evades do mundo la fora, onde grandes cidades e grandes aeroportos sao aventuras irreais.

A tempestade do destino

"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que nao pára de mudar de direccao. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti..."

Haruki Murakami, in Kafka á beira mar

Flash


Nas ruas, a paz larvar dos grandes cemitérios;
dentro de nós, cada um
apodrece.
Enchem-se de títulos vibrantes os jornais
— mas tudo é tão longe...
Passam homens por homens e não se conhecem:
Boa tarde! Bom dia!
Cada um fechado nas suas fronteiras,
os gestos vazios,
a vida sem sentido
— sonambulismo apenas.

Acorda!
Ainda que seja só para o sobressalto,
que as ilusões do sonho se desfaçam
e as esperanças morram todas nessa hora!

Acorda!
ainda que o caminho a percorrer te espante
e o peso da obra a realizar te esmague!

Ainda que acordar seja
morrer depois aos poucos, em cada momento,
dolorosamente.

Joaquim Namorado (n. 1914 - m. 1986), in Incomodidade (1945)

O maior milagre é a vida quotidiana

"Se eu procurasse algum milagre no mundo, nao seriam os acontecimentos extraordinarios que eu chamaria de milagres, mas bem mais o curso normal das estacoes e a forma invariavel das constelacoes. Se algo pudesse provar que ha um Deus, seria a ordem e nao a desordem."

Emile-Auguste Chartier

Flash


Portanto não morri. Eu tinha grandes naus
aparelhadas na ribeira do coração.
Caíram árvores, camponeses gritavam
enquanto a chuva
mordia raivosamente as coisas do mundo.
«Paciência», dizia eu, «não morrerei por isso.»
E esperava o sândalo e a canela.

Fernando Assis Pacheco (n. 1937 - m. 1995), in Cuidar dos Vivos (1963)
Vivemos actualmente o seculo da aniquilacao.
O terror semeado pelos yihadistas islamicos e a impotencia do mundo, lembram-me os moinhos de vento e as aventuras interminaveis de D. Quixote e Sancho Panza.

Flash

Esta bungavilia mora no jardim a entrada do povoado. Debaixo dela ha um banco de jardim onde todos os dias a mesma hora se sentam alguns idosos a conversa. De vez em quando vem alguem podar-la, fica estranho aquele espaco sem sombra e sem cor. Quanto mais a cortam, mais ela ressurge esplendorosa.

As profissoes do bem-estar

Sao algumas as razoes porque depois de exercer a Psicologia durante sete anos, cortei pela raiz e levo ja sete anos sem voltar a exercer. Ha inumeros factores de orgulho - considero que era realmente boa no que fazia e algumas das pessoas de maior relevo na area verbalizaram algumas vezes qualidades minhas a nivel profissional. Creio que me destaquei logo desde a universidade.
Depois foram anos duros, de ver o mundo de frente e perceber que aquilo era o que deveria fazer o resto da minha vida sem parar, mas que ao mesmo tempo me estava a matar por dentro. Juntaram-se outros factores e levantei voo. Quando cheguei a ilha pensei que seria bom tirar esse tempo sabatico que tantas vezes nos faz regressar ainda melhores profissionais. O tempo foi passando e eu acomodei-me a area da hotelaria, enviei um curriculo apenas duas vezes especialmente por pressao familiar. Nada. Continuo parada e sem sentir que devo voltar.
Folheio revistas e continuo a pensar que a decepcao que sinto em relacao a esta area vai mudar a qualquer instante, mas ainda esta muito presente. Os profissionais que saem para o mercado, e que inventam doencas de moda, que justificam o que pese embora tenha uma justificacao mas que jamais deve ser impunivel, que fazem desta profissao um leitmotif para vender a banha da cobra, pertencem a uma corrente moderna, bem equipada, mas sem vocacao. Ha gente boa, muitissimo boa. A uns quinze anos atras os professores que mais me fizeram sentir perdidamente apaixonada pela area em si, foram senhores ja de idade superior a cinquenta anos, gente da velha guardia, que possivelmente ja nem exercem mais a profissao. Eram eles o director da Psicologia Medica no Hospital Geral de S. Joao do Porto, o coordenador da Psiquiatria forense do Hospital Magalhaes de Lemos, e outros. Os professores que na altura me pareciam apenas um lugar comum da disciplina, sao os que hoje dao as cartas quando entro na pagina online da faculdade. Sao a nova guardia, o futuro, os que descobriram o espectacular sindrome pos-vacacional e outros. Nao me identifico, e confesso que as vezes me sinto triste com o espraiada que esta a Psicologia. Deveria ser tao cientifica e seria como algumas outras disciplinas.
Sempre fui especialmente apaixonada pela area criminal. Mas o mundo tal como esta agora nao oferece saidas para gente que tem certos valores adquiridos ja antes mas tambem com a formacao profisisonal. Um pederasta jamais deveria voltar a viver em liberdade total e absoluta. A Psicologia deveria trabalhar emparelhada com a Justica como amantes famintos. Elaborar perfis com objectivos serios, nao apenas para servir e alimentar um sistema falido e cheio de falsas aparencias. Reinserir valorizando sempre o individuo sem considerar ou salvaguardar a seguranca e estabilidade social de uma comunidade, nao cabe dentro da minha perspectiva profissional. Vi colegas meus fazerem isto algumas vezes, nao por vontade propria, mas porque e o sistema.
Deve ser por isso que impressionantes e demoradas operacoes policiais para prender um pederasta que ja ha dez anos cometeu delitos por abusos de menores, nao me espanta nem me impressiona. Temos exactamente o que semeamos.
De resto conheco alguns medicos da velha guardia, gente que ja nao exerce a profissao nao por vontade propria mas porque o governo retirou do mercado gente que esta no auge da carreira, no seu melhor momento a nivel de conhecimento profissional, porque sim. Para dar lugar a outros que precisam de crescer. Compreensivel mas nao razoavel. Cabiam todos, e os que estao tem muito que aprender. Fizeram isto com o meu hematologista, considerado um dos melhores da Europa, o unico que ao fim de quinze anos de crises, me detectou o problema exacto. Proliferam os cirurgioes esteticos - li que ja estao a implantar o terceiro seio??? - os que te retiram a perna esquerda numa cirurgia quando a perna doente e a direita, os que te retiram a ligua num cancer de garganta quando ja sabem que o cancer esta espalhado e tens semanas de vida e dessa maneira te roubam descaradamente o bem estar dos teus ultimos dias - como fizeram a um companheiro meu de trabalho, os medicos de familia com apenas oito restriros minutos para atender um paciente e que te cortam a frase e dizem sem escrupulos mesmo que ja tenhas cinquenta anos e todas as doencas do mundo "Acabou-se o tempo, marque outra consulta.", e os centros de saude como o meu que ja so tem medicos arabes. Nao se trata so de aprender, de oportunidades, de que a gente de agora la para os cinquenta vai ser tao boa ou melhor do que os meus grandes maestros na universidade. Trata-se de instinto, de vocacao, de valores e limites.
Proliferam as profissoes de bem-estar que a moda decide, que os meios vendem, que ficam bem, que as tantas nem fazem grande trabalho, mas que andam nas bocas do mundo. Conheco uma maestra de reiki e outras terapias naturais, que ultimamente da consultas particulares como terapeuta, ou seja faz o que fazia eu num gabiente fechado com um paciente sentado. No meu tempo havia mais respeito por essa palavra, nao era qualquer pessoa que a poderia utilizar, no caso desta pessoa nem a universidade foi. Mas vive num meio pequeno, tem coisas girissimas na internet, o apoio das entidades certas, mil e um cursinhos de coach (como nao?), e tudo bem.
Tenho alguma revolta interior. Sei que existe um descontentamento geral em gente de diversas areas profissionais. Sei que algum dia vou regressar. E sei que vou encontrar a selva ainda mais agressiva.
Esta manha retirei do bau as minhas grandes biblias a nivel profissional. Os meus livros estao amarelos, cheiram as bibliotecas velhas. Vou voltar a reler, embora saiba que hoje os consideram desactualizados. Enjoo profundamente alguns manuais actuais, cheios de bulas de salvacao e pilulas de bem estar. Vou recomecar visitando lugares antigos onde me perdi de amores e me enchi de valores, e ver se alguma coisa muda ca dentro.
Quem sabe 2015 seja importante neste sentido.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Crazy little things

Lembram-se do casal de idosos que se suicidaram em França?

«Acabas agora de fazer oitenta e dois anos. És ainda bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos e amo-te mais do que nunca. Recentemente reenamorei-me de ti uma vez mais e trago de novo em mim um vazio devorador que só o teu corpo apertado contra o meu apazigua. À noite vejo por vezes a silhueta de um homem que segue um carro funerário, numa estrada vazia e numa paisagem deserta. Esse homem sou eu. O enterro é o teu . Não quero assistir à tua cremação; não quero receber um frasco com as tuas cinzas»

Andre Gorz, in Carta a D. (Historia de um amor) pag.86

Flash





 Old pics

Bom dia Vida

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Hoje

Equinocio de Outono. Primavera no Brasil. Vespera de dia livre.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Diariamente eu chego a simples conclusão de que a vida é tão maravilhosa porque também é feita de colos, de feridas que cicatrizam, de amigos que celebram ou choram junto, de café coado com coador de pano, de gente que pega ônibus ou faz caminhada pela manhã, de quem planta o que se pode comer, de vizinhos que alimentam seus gatos com comida de gente. Que a vida é feita de algumas pessoas que direcionam todo o seu potencial criativo para melhorar a qualidade de vida de gente que eles nem conhecem. Que é feita de e-mails que chegam recheados de saudade e de cartas extraviadas solitárias numa gaveta de um correio qualquer. De muros e pontes e cais. De aviões que suprimem distâncias e de barcos que chegam. De bicicletas que atravessam cidades. De redes que balançam gente. De rostos que recebem beijos. De bocas que beijam. De mãos que se dão. Que existem pessoas altamente gostáveis, altamente rabugentas, altamente generosas, pessoas distraídas que perdem as coisas, mal-educadas que buzinam sem necessidade, pessoas conectadas que se preocupam com o lixo, pessoas sedutoras e seduzíveis, possíveis e impossíveis, pessoas que se entregam, pessoas que se privam, pessoas que machucam, pessoas que chegam para curar; desencadeadores de poemas, de sorrisos, de lições de vida que ficarão guardadas para sempre."

Marla de Queiroz

Flash


Sucessivos Veroes prolongados ensinaram-me o quanto é bela a cidade assim cinzenta, tao cheia de alma e silencio.

sábado, 20 de setembro de 2014

Pequeninas vitorias que fazem sorrir

A nossa baby, do alto dos seus tres anos, ja conta ate vinte e diz os dias da semana.

Flash



Alô Alô Marciano, aqui quem fala é da terra, p'ra variar estamos em guerra

Ah gente, o quanto eu gosto desta musica da Rita Lee na voz da querida Elis Regina, qualquer dia adapto ao toque de chamada do meu telefone.
Tem sido assim os dias, meio perdida no tempo, tanto faz se é sabado se segunda, se estamos em 2014 ou em 2020. Durmo carradas de horas seguidas em modo carrega bateria e nao, nao me consigo livrar desta desgastante sensacao de um Verao interminavel.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Flash

Ainda Setembro. Um calor torrido, dias sem vento que salve, noites em claro. As praias cheias, os miudos que comecaram as aulas mas correm ao fim da tarde para o mar, como filhos de peixe. As esplanadas apinhadas de gente mal cai a noite, gelados, melancia doce e sumarenta, peixe fresco, vinho branco gelado. O campeonato internacional de pesca em altura que decorre sempre neste mes e nos traz muita movida: iates, guiris, zumba kids no molhe, tendinhas de artesanato, insuflaveis para os miudos queimarem energia, e no ultimo dia o peixe da vitoria que este ano pesou duzentos e oitenta e quatro quilos. Espantoso o frenesim de viver deste povo latino, cheio de um Verao interminavel na alma.




Tenho tentado focar-me na luz, no lado bom da vida, na paz imensa escondida nas coisas iguais de todos os dias. No facto de aos quase quarenta anos poder desfrutar dos meus pais vivos, sair com eles e ve-los passear de mao dada, perceber que a forma como caminham em silencio, abracados, durante tanto tempo, esconde a formula secreta do amor. Ver como cresce a minha sobrinha num meio pequeno, neste remanso de paz e frescura, onde os miudos sao todos iguais, onde o colegio deles e o melhor colegio do mundo porque tem uma horta e um espaco com animais: crescem com o burro, as galinhas, as ovelhas. Ver como ela salta e ri ao fim da tarde todos os dias nos baloicos na praia. Este clima abencoado que nos enche de luz e leveza o ano inteiro. As montanhas nuas e o mar - o mar que eu ja nao sei viver longe dele. A gente simples, de chinelo de praia e pele morena.
Dessa forma tenho acalmado o meu lado ansioso, tenho amansado a fera que mora em mim, tenho feito essa coisa fundamental para viver feliz: ficar de bem com a vida. Sempre havera contrariedades, sonhos com pressa, muros por detras de outros muros, gente cinzenta para manchar os nossos planos, sempre havera o nosso lado lunar porque todos o temos. Por pressa de viver o amanha, nao quero deixar de viver o hoje e tudo o que ele me traz. Deixar a cidade cidade fez-me perceber o quanto sou rebelde afinal, e mimada. Nao poderei nunca viver nos dois mundos em simultaneo, mas se me deixar crescer posso sempre ter o melhor de cada um enquanto nele viver.
A vida sao favas contadas, nao ha tempo para perder.

domingo, 14 de setembro de 2014

A noite passada choveu. Despertei de madrugada com o barulho assutador dos trovoes, depois uma chuva grossa caiu sem piedade. O ruido na vidraça das janelas soube a embalo, coisa para sorrir e ficar cheia de gratidao. Hoje durante o dia voltou a chover. Que frescura. Faz tempo que nao via o cume das montanhas com tanta nitidez.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Flash


"Nunca digo a Deus que tenho um grande problema. Sempre digo ao meu problema que tenho um grande Deus."
TF
A ultima lua cheia deste Verao pareceu-me a mais espectacular de todas.

Flash

Crazy little things

Ontem comprei a revista Hola, chorei a ler a exclusiva do casamento da Angeline e do Brad. Sao adoraveis, tem uma familia absolutamente encantadora.

O país do El Dorado

Li qualquer coisa sobre um novo banco em Portugal, apadrinhado pelo amigo Estado, Banco Fomento, pode ser? No qual injectaram seis milhoes e tem sete administradores. Sete, leram bem.
Outra vez esta sensação boa de estar a ordenar de novo a minha vida, a por cada coisa no seu lugar, devagarinho, sem pressas, e com a certeza de que mais ninguem pode faze-lo por mim.

Mood

Uma gripe terrivel, cinquenta graus dentro da cabeça, num Setembro em fogo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Flash


Amor chega com o tempo, com entrega, com dedicacao, com partilha, com paciencia, com cuidado e bem querer, com verdade. Amor tarda, amor ri, amor brinca como criança, amor sobrevive.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Autumn leaves

Deve ser porque vivo neste clima abencoado, que por esta altura tenho saudades de tudo o que nos traz o Outono. Ou talvez nao. Lembro-me que quando era miuda ja gostava desta estacao, identificava-me e vivia as cores e o desnudar-se silencioso e numa pressa crescente das arvores, a chegada do frio, os dias a ficarem pequenos, o regresso as aulas - eu sempre adorei estudar - as roupas mais aconchegantes, tudo numa sintonia profunda com esse lado mais romantico e nostalgico que eu sempre tive mais saliente. Aqui na ilha quase nao se nota o Outono, esse esplendor tao tipico que me fazia viajar e ficar mais dentro de mim, nunca mais o vivi. Nos ultimos sete anos fiquei ainda mais segura de que o Outono e tao bonito como o Verao, igualmente interessante e especialmente poderoso.  Naturalmente tudo o que o sol dourou na ultima estacao, pede descanso. A vida so se renova atraves de pausas que antecedem recomecos. É no fundo da terra que as raizes e as sementes estabelecem a necessidade de renovacao, esse periodo interior de silencio e descanso em que a terra ganha força e faz promessas.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O nosso domingo

Planeamos tudo na vespera. Despertamos bem cedo, metemos-nos na carrinha rumo a nossa praia preferida, a nossa pequena costela de Cuba a porta de casa. Foi um dia cheio de sal, de mar calmo, aguas turquesa, muita risota com a minha sobrinha, sentir o sol a beijar a pele, fazer castelos na areia. Parecia aquele primeiro dia de Verao depois das chuvas, quando todas estas sensacoes nos enchem de plenitude e bem estar.
Depois aquela gratidao imensa no peito, por simplesmente podermos estar ali juntos, naquela comunhao familiar que sera sempre o maior tesouro das nossas vidas.

Life goes on

Segunda-feira. Regresso ao trabalho depois de sete dias de descanso. Ver as coisas desde um plano especial, como se eu fosse uma espectadora do meu proprio dia-a-dia. Perceber tanto detalhe que faz toda a diferenca, e sorrir.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Flash





Passion for pics
Cair. Cair de golpe, esmurrar a alma. Chorar, lamber a ferida. Levantar, caminhar de novo.
Importa o lado bom da vida, a gente cheia de luz, os presentes silenciosos de todos os dias nesse Deus presente no Sol, no mar, nas flores - hoje ganhei flores.
As coisas boas sempre acabam por chegar para a gente de bem.

Bom dia Vida

Hoje levantei sem animo. Sem alegria, sem vontade. Tirei tudo do lugar dentro de casa, uma data de coisas ja nao tem mais lugar na minha vida, nem mesmo do quadro do Klimt gosto mais. Cansei de tudo, dos meus santos e das minhas velas, das minhas esperancas a cheirar a bolas de naftalina.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um campo de lavanda fustigada pelo sol intenso. Um homem de pele morena, vestido de branco. Uma casa de inspiracao arabe; uma enorme porta de madeira, pintada de azul, encantadora. Uma teenager com uma perna malmente tatuada, um gato. Gaivotas sobre as rochas, junto aos barcos dos pescadores. Um hotel que cheira a jazmin por todos os cantos. Comprar a lingerie mais sexy do mundo, no meu favorito rosa-velho, para oferecer a minha irma. Encontrar no caminho, uma especie de pequena imagem do meu pais: um pinhal na ilha! Encher os pulmoes, trazer pinhas para decorar a casa. Contar segredos, rir alto. Encontrar Africa ao virar da esquina num caminho de terra batida. Chegar a casa exausta, mas cheia desta sensacao boa de ter gasto um dia inteirinho para ser feliz.
Ontem foi dia de viajar ca dentro, ca dentro da ilha e ca dentro de mim. Como sempre a maquina fotografica acompanha-me, algumas imagens merecem um disparo. Desta vez foi dia de namorar assim muito com a minha irma, almocarmos juntas sobre o mar, fazermos compras, tomarmos cafe no majestoso Bahia Real e actualizarmos os laços profundos que para sempre nos unem.
Quebrar rotinas, por vezes é tudo o que precisamos para gostar um bocadinho mais - e ficar perdidamente apaixonados - da Vida.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sera sempre uma das minhas preferidas

Sobre as expectativas

Mora no nosso ADN esta velha mania de esperar coisas da vida, das pessoas, das datas marcadas. Afinal seriamos desinteressantes se nao houvesse de vez em quando este arrepiar da penugem da alma que nos faz ansiar e desejar que tudo aconteca exactamente da forma como tanto queremos. Esperar, Acreditar, Visualizar. Depois perceber numa grande parte das vezes que afinal a vida tem um plano á margem das nossas expectativas, e sobretudo que as pessoas  -  a maioria das pessoas - nunca vai corresponder ao que esperamos delas. Perceber isto e nao desanimar, considerar que nos tambem frustramos algumas vezes as expectativas dos demais. Reformular outra vez, renovar as ansias e deixar nascer um novo desejo. As pessoas interessantes, as cristalinas e verdadeiras por dentro e por fora, existem, mas nao abundam. A vida em si tantas vezes nos falha os planos para mais á frente nos bendizer com algo inesperado, tao melhor do que poderiamos supor, e que curiosamente nao esteve nunca nos nossos planos.
Nesta aprendizagem, crescemos. Definimos quem afinal deve entrar no nosso mundo, e so mais tarde - quando por fim maturamos - decidimos quem deve permanecer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Flash

September spirit

Belief

A familia cresceu

A luna chegou as nossas vidas. Uma gatinha branca, ainda tao pequenina, que vivia na rua, foi adoptada esta semana pela minha sobrinha. Depois de um acontecimento tao tragico e triste, a luna chegou como o melhor presente do mundo para a nossa Bianca.
Ha sempre imensas razoes para estarmos tao gratos pela bela surpresa que resulta ser a Vida.

Momentos de trivialidade

Comprei um livro por instinto, suspeito que me vai sair uma joia literaria. Apaixonei-me perdidamente por um Buda, deixei-o sobre a cama da minha mae com um bilhetinho de amor, acho que ela vai gostar tanto dele como eu. Nunca tive uns sapatos azuis, comprei umas bailarinas girissimas para usar no proximo Outono.

Setembro

Setembro iluminado. Uma segunda-feira em casa. Muito silencio, alguma paz que vai chegando devagarinho. Este holiday mood que me custa ainda interiorizar.
A ultima semana de Agosto foi demasiado intensa, muita adrenalina para driblar todos os dias, alguns limoes caidos pelo chao num malabarismo impossivel de controlar devido ao cansaco. Algumas lagrimas escondida no meu quarto. Gente que se atropela e se maltrata por tuta e meia, e e preciso aprender a viver num mundo onde dizem que cabemos todos.
Hoje comeca esse mes calido, interessante visto de todos os pontos de vista. Tenho sete dias para repousar, para encontrar novamente a minha zona de conforto, para devolver-me sorrisos e equilibrio. Para estabelecer prioridades, dedicar o meu pensamento apenas ao que e a quem vale realmente a pena dedicar-me.
A vida esta sempre disposta a colaborar connosco, nisso eu acredito. Tenho sete fins de tarde, sete amanheceres, muito mar, reiki, um banho de ervas, horas de leitura e de sono reposto, à minha espera. Setembro chega como o mes da cura...

Bom dia