quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Bussola

Tardei em perceber porque que da ultima vez que estive no Porto nao quis ver nem estar com ninguem, porque que foi mais facil afastar-me e ficar sozinha. Creio que se me demorasse mais cinco minutos nos bracos daquela gente, nao teria tido animo para voltar a entrar num aviao e ficar longe. So hoje, dois meses depois dessas ultimas ferias, cheguei a esta conclusao: nao aprendi a viver partida ao meio. Nao pelas pessoas ou pelos lugares, mas por mim mesma, pelo trabalho que desenvolvo e que nao me preenche. Aluguei casa, centrei-me, quase ate me apaixonei, mas nao consegui sentir-me no caminho certo. Desta vez se mudar, tenho que ser capaz de o fazer so por mim, apenas por mim.
No caminho certo estava o senhor Pajares que foi enterrado ontem, que morreu a quinze dias de se aposentar, apos cinquenta anos de voluntariado em missoes humanitarias, tendo infelizmente contraido ebola e por essa razao nao ter resistido a mais dias de vida a ver tanta tristeza e caos neste nosso mundo. Morreu a fazer o que achava que devia fazer, morreu a cumprir a sua missao de vida, e isso parece-me belissimo. Do mesmo modo que a missao de outros pode ser a servir cocktails no Hawai, o importante e que o coracao, a nossa bussola interior, nos diga que estamos no lugar certo.
Eu nao estou no lugar certo, e pela idade comeco a sentir que talvez comece a ser tarde para ir em busca desse lugar, sao muitas as duvidas e os medos. Ja sei, nunca e tarde, e o medo nunca ajudou ninguem a nada, conheco a historia...
No inicio do proximo ano faz sete anos que vivo na ilha. Preciso de mudar o meu rumo, de tomar uma decisao e morrer de colicas e pavor mas ir dar a algum lugar novo, ou antigo. Nao posso continuar a fingir por muito mais tempo, nao estou feliz aqui.
Uma unica certeza: a qualquer momento estarei no caminho certo, e sempre acompanhada. Para quem como eu acredita em Deus, tudo fica mais facil.

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