quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Aloha

Nesta ultima semana de trabalho cheguei a temer pela minha sanidade mental. Vivi situacoes tao inacreditaveis que se algum dia publicar as minhas memorias, sao passagens obrigatorias.
Voltei a fazer exercicio fisico e retomei as minhas caminhadas. Tento centrar-me no que me diz a minha voz interior, busco influenciar-me o menos possivel pelos ruidos exteriores e para isso aproveito ao maximo o que sempre foi a melhor terapia para mim: o mar e a luz das manhas.
Fiz fotografias cheias de natureza e calma. Apanhei novas conchas que o mar revolto dos ultimos dias nos trouxe, algumas peças sao ouro moido. Passei das idas a cabeleireira este mes, nao pelo tempo de praia mas porque tinha saudades - confesso - do meu cabelo rebelde. Fiz um tratamento extraordinario aos meus pes e ando com eles que parecem de baby. Descobri uns iogurtes novos da Activia, de lima-limao, divinos. Recebi uma mensagem que me deixou tao feliz como ha muito tempo nao me lembrava de estar. Comprei lingerie. Descobri que os meus calcoes laranja-fogo da Timberland - os meus preferidos - voltaram a servir-me. No chek-up medico laboral foi-me dito um sem fim de coisas boas de saber: peso ideal, sem colesterol e se vos descrevo a cara da medica quando abri a boca, parecia que estava a ver um dinossauro: "Incrivel, tem os dentes todos!" Fiquei com a sensacao de que sou a unica pessoa no hotel que os tem.
Vai comecar o campeonato internacional de pesca em altura, hoje fui ate a marina e anda tudo agitado por la.
Esta semana terminei um livro sobre politica, que acabou por se tornar num autentico aborrecimento. Comecei a ler A caverna do tao querido Saramago: lufada de ar fresco, inteligencia e sensibilidade.
Em suma, as coisas negativas nao importam. Elas servem para nos provocar reaccao, para nos inculcar alguma aprendizagem. Mas o que importa mesmo, o que nos guia, é o que nos faz feliz. E eu nao tenho grande razao de queixa, aos 35 anos ja fiz algumas coisas boas: vi uma aurora boreal, vivi junto ao mar, tenho um gato persa amarelo.
Hoje, para terminar em beleza, vou jantar com os pais e a minha bela sobrinha. Nao vou resistir a um vinho branco gelado, e ao entardecer visto da terraza de casa.

1 comentário:

  1. Também ando nessa caminhada da busca da minha voz interior e infulência mínima dos ruídos exteriores.

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