sábado, 28 de junho de 2014

"Não passo um dia sem te desejar, nem uma noite sem te apertar nos meus braços; não tomo uma chávena de chá sem amaldiçoar a glória e a ambição que me mantêm afastado da vida da minha vida. No meio das mais sérias tarefas, enquanto percorro o campo à frente das tropas, só a minha adorada Josefina me ocupa o espírito e o coração, absorvendo-me por completo o pensamento. Se me afasto de ti com a rapidez da torrente do Ródano, é para tornar a ver-te o mais cedo possível. Se me levanto a meio da noite para trabalhar, é no intuito de abreviar a tua vinda. (...) Adeus, mulher, tormento, felicidade, esperança da minha vida, que eu amo, que eu temo, que me inspira os sentimentos mais ternos e naturais, tanto como me provoca ímpetos mais vulcânicos do que o trovão. Não te peço amor eterno nem fidelidade, apenas verdade e uma franqueza sem limites. (...) Lembra-te do que te disse algumas vezes: a natureza fez-me a alma forte e decidida. A ti, fez-te de rendas e de tule."

Napoleão Bonaparte, in 'Carta a Josefina (1796)'








Crazy little things

Hoje no hospital, na parede do dispensario onde estive deitada, havia um desenho feito por uma crianca. Um sol, uma arvore e uma data: 13 de Maio.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Dias perfeitos

Para beber chá gelado, andar descalça, tomar banho de mar ao amanhecer, vestir roupa branca, enamorar-se, fotografar, carregar as baterias da alma, dourar a pele, separar definitivamente o trigo do joio e perceber que o que nos convém é sermos felizes.

quinta-feira, 26 de junho de 2014


Da ilha


 "Homem livre, tu sempre gostaras do mar."
Baudelaire

A minha Africa

"Jamais vi tanta quantidade de noite numa arvore como nas mangueiras ao sol."
Antonio Lobo Antunes, in Comissao das Lagrimas

quarta-feira, 25 de junho de 2014

«Bater a porta da rua, percebe, como bati a porta de África de regresso a Lisboa (…) A porta de África, Isabel: um médico homossexual, cujas pestanas se enrolam em nós como os tentáculos de um polvo, acolitado por um cabo trocista, de patilhas, ao qual se deve unir de pensão em pensão num suspirozinho exausto de ventosa, examina-nos o mijo, a merda, o sangue, para que não infectemos o País do nosso pânico da morte, da lembrança do rapaz louro coberto por um pano no meu quarto, dos eucaliptos de Ninda e do enfermeiro sentado na picada de intestinos nas mãos, a olhar para nós num espanto triste de bicho. Trazemos o sangue limpo, Isabel: as análises não acusam os negros a abrirem a cova para o tiro da PIDE, nem o homem enforcado pelo inspector na Chiquita, nem a perna do Ferreira no balde dos pensos, nem os ossos do tipo de Mangando no telhado de zinco. Trazemos o sangue tão limpo como o dos generais nos gabinetes com ar condicionado de Luanda, deslocando pontos coloridos no mapa de Angola (…)»
António Lobo Antunes, in Os Cus de Judas, 1979
"(...) os homens que puxam riquexós nas ruas de Deli estão neste momento a sonhar com aquilo que rejeitas e a agradecer aquilo que deixaste de sentir. Não são eles que correm o risco de se esquecer da vida, és tu. Havemos sempre de lamentar o tanto que esquecemos, o tanto que perdemos quando aquilo que procurávamos era o caminho em frente, era seguir, crescer, construir. Havemos sempre de lamentar. Quando estiveres a ponto de te preocupar com merdas, os dilemas da poesia contemporânea, o IRS, o código do multibanco, os carros que te roubam do estacionamento (…), lembra-te dos homens que puxam riquexós nas ruas de Deli. Nunca te esqueças do mundo, Zé Luís.”
Jose Luis Peixoto, in Abraço

Bom dia Vida

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Que belleza


La mujer que me habita, la que sabe, me dice cuándo es el momento de la retirada.
Me hablan mis ancestras.
Me guían.
Y me empujan al borde de los precipicios.
- Salta! - gritan.
Y si no salto me asfixian.
La mujer que me habita sabe cuándo salir corriendo.
Sabe dónde me comen y dónde como yo.
Y me habla bajito cuando duermo contándome cómo soltar las cadenas. Canta la loba en mi vientre canciones de salir corriendo.
Hay un tambor en mi centro que se pone a vibrar cuando llego vacía de todo, menos de mí.
Hay una serpiente en la tierra que se despierta y me busca cuando lo que elijo me enferma.
No hay tiempo.
Es ahora, o nunca.
Ha llegado el momento de mirar a la cara a la bruja. Y dejarle pasar.
Apartarse y morir. Morir a lo viejo. A la mentira. Lo conocido. La mujer a medias. La enferma. La que ama a medias y vive a medias. Y da a medias. Y a medias se queda. Yo te muero, mujer. Para revivirte de nuevo y darte el espacio que de verdad ocupas en el mundo.
El lugar que te corresponde.
No importa ese camino que te desaparece a cada paso que das ahora. No importa que no veas sendero delante de ti, mujer.
Avanza a oscuras con los ojos muy abiertos!
Huele a tus abuelas!
Y date cuenta de que CONOCES EL CAMINO. Porque ya fuiste antes!
Porque ya fuiste antes, mujer.
Ve, que no vas sola.

Elena Alonso

Lugares com charme




Avila



Segovia




Outono na cidade



Fotografias oferecidas pela R.

A Paz mora nos lugares